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Pandemia

Precisamos de um novo iluminismo para estes tempos de perda de lucidez

Na crise da Covid-19, há casos até de profissionais de saúde com formação científica que se deixaram cegar pelo debate ideológico

Publicado em 12 de Agosto de 2021 às 02:00

Públicado em 

12 ago 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Pesquisa em laboratório
Pesquisa em laboratório: a lógica e a razão estão perdendo forças para a emoção e a fé Crédito: wayhomestudio/Freepik
A revolução francesa e a independência dos Estados Unidos da América foram importantes eventos do século XVIII que não apenas moldaram a identidade desses países, mas sinalizaram a ruptura de uma época e o nascimento de um novo estilo de vida e pensamento.
A superação do absolutismo feudal, da Idade das trevas medieval, do poder incontestável das monarquias, deu lugar ao iluminismo, movimento intelectual que caracterizou o século das luzes, que defendia que o uso da razão se sobrepunha ao da fé para solucionar os problemas da humanidade.
Na economia, Adam Smith escrevia que “não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos próprios interesses”.  O clássico “A riqueza das nações” defendia os princípios do livre mercado. Os filósofos do iluminismo tinham fé no poder do pensamento racional em contraposição ao limitado universo das crenças, superstições e magias que até então infestavam o dia a dia das pessoas daquela época. Os seres humanos tinham o poder de criar instituições inteligentes que compensassem nosso egoísmo inato.
O iluminismo ajudou a forjar a democracia moderna, com um sistema de freios e contrapesos, em que todos se mantinham de olho uns nos outros. Nas palavras de James Madison, um dos "founding fathers”, patriarcas fundadores da democracia americana, “a ambição deve ser usada para se contrapor à ambição”.
Voltaire, Rosseau, John Locke, Montesquieu foram filósofos e pensadores que ajudaram a moldar essa época e a pensar as instituições tais quais as concebemos hoje.
A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe imensos desafios e perdas para todos nós, exacerbando polarizações políticas e longas discussões que dividem famílias e amigos. As redes sociais amplificam tribos que não se falam, ou se agridem, onde a lógica e a razão perdem forças para a emoção e a fé. Tantos profissionais de saúde com formação científica se deixaram cegar pelo debate ideológico.
Interessante e oportuno conhecer a História, para entender que a humanidade caminha assim, e os povos tem momentos de maior ou menor lucidez, conforme passam os anos. Talvez precisemos de um novo iluminismo, de rever os conceitos da boa filosofia, do aprendizado da ciência e suas descobertas e conquistas na história da humanidade.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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