A primeira frota de colonizadores britânicos chegou à Austrália em 1788 para estabelecer uma colônia penal. Em 1901, o país, continental de 7,7 milhões de Km2 e hoje com 25 milhões de habitantes, se tornou uma democracia parlamentarista.
Quase metade da Austrália é constituída por desertos, e o clima é parecido com o do Brasil. Lá o novo coronavírus chegou mais cedo, em 24 janeiro. O governo do Partido Liberal, conservador, uniu o país, com uma estratégia de testagem diagnóstica maciça, “clínicas de febre” para atendimento, restrição de movimentos de grupos e fechamento do comércio não essencial. Até aplicativo de celular criaram.
No pico das restrições, as pessoas só podiam sair para ir ao médico, farmácia ou supermercado. Em razão da gestão e unidade na ação, a Austrália contabilizava 7.834 casos e 104 óbitos em 30 de junho.
O Brasil, no mesmo dia, com uma população oito vezes maior, tinha mais de 1,4 milhão de casos, com 59.656 mortes. O Espírito Santo, com um sexto da população australiana, tem 16 vezes mais óbitos e 6 vezes mais casos. Onde erramos?
Perdemos tempo precioso discutindo se a doença era importante ou invenção da mídia; se o certo era isolar ou enfrentar. Até hoje proliferam kits os mais variados para tratar ou prevenir a doença. Trata-se de puro desperdício de energia com foco nas questões erradas.
Em razão da ausência de gestão de crise do governo federal, Estados e municípios adotaram medidas duras de restrição cedo, em diversos locais. Em consequência, a maioria das cidades do Brasil parou em momentos diferentes da ascensão da curva de contaminação, de modo ineficiente, sob bombardeio frequente de um debate cansativo e polarizado.
O confinamento exauriu o ânimo das pessoas e muitas cidades estão flexibilizando no pico da epidemia. O governo também não teve agilidade e eficiência necessárias para prover a tempo o enorme contingente de trabalhadores informais de baixa renda.
Enfim, desperdiçamos o momento ideal de isolamento mais vigoroso que conseguisse de fato interromper a cadeia de transmissão da Covid-19. Permanece o desafio de, até termos uma vacina disponível, manter medidas de proteção (máscaras) e distanciamento possível nesta atabalhoada volta ao normal, ou iremos conviver com muitas mortes ainda. O prolongamento desta agonia também não é bom para a economia.