Em 1999, David Dunning e Justin Kruger, psicólogos americanos, desenvolveram uma teoria segundo a qual pessoas com menos conhecimento para entender determinados assuntos tendiam a inflar erroneamente a percepção de sua capacidade de opinar a respeito, gerando um viés cognitivo, como uma ‘’ignorância sábia”. Este fato passou a ser conhecido como premissa de Dunning-Kruger.
É fácil entender: quando não temos ferramentas para compreender determinado assunto, também não dispomos das ferramentas para saber que não o compreendemos! Isso não deveria desabonar ninguém! Na era atual, o conhecimento científico é produzido em quantidade impossível de ser assimilado por todos em igual maneira. Para isso existem os especialistas. Afinal, ninguém se submeteria a uma cirurgia feita por um profissional treinado pelo WhatsApp ou entraria em um avião pilotado por alguém que ouviu dizer como se pilota. No entanto, vivemos épocas de paixões nas discussões onde a razão não tem lugar.
Essa premissa foi testada agora na pandemia da Covid-19, em Mônaco, onde 2487 pessoas tinham que autoavaliar seu conhecimento sobre a doença, em um questionário detalhado. De maneira geral, as pessoas com maior nível de autoconfiança no próprio conhecimento eram as que tinham pior performance no teste. Curiosamente, não tinham nenhuma dúvida no acerto de suas respostas! Na pesquisa, o fato de ser um profissional de saúde não melhorou o desempenho, não protegeu do efeito Dunning-Kruger. A grande maioria relatou informar-se essencialmente nas mídias sociais.
Costumo dizer que, passado um ano, todos são especialistas em Covid! Quando, com as reflexões serenas e desapaixonadas, os historiadores escreverem sobre a pandemia, muitas linhas serão gastas para contar sobre essa infodemia, a quantidade absurda de informações sem sentido. Afinal, o “kit covid” já está enriquecido com corticoide, anticoagulantes e agora diuréticos, poções de mistura inusitada.
Àqueles que insistem em disseminar temores em relação às vacinas, amplificando problemas comuns em vacinação em massa, é bom saber que não há outro caminho que o da imunização da maioria da população, na qual estamos bem atrasados!