Caminhamos para meados de setembro e enfim parece consistente a redução dos óbitos por coronavírus na região da Grande Vitória e mesmo em várias cidades do interior. Felizmente, caiu a pressão nas emergências e por leitos de terapia intensiva, dando fôlego aos exaustos profissionais de saúde.
Por que isso está ocorrendo aqui e em outras regiões metropolitanas, quando inquéritos sorológicos mostram escassa contaminação e as pessoas se expondo cada vez mais? Não há certezas ou respostas fáceis! Não sabemos ainda, mas algumas teorias interessantes têm surgido. É provável que o percentual de pessoas sem sintomas ou com queixas muito leves seja bem maior do que supomos.
Todos recordam a viagem da comitiva presidencial à Flórida em março, quando muitos assessores e auxiliares idosos com testes positivos passaram ilesos. No navio Diamond Princess, ancorado semanas a fio em Yokohama no Japão, mais da metade dos mais de 700 infectados não tinha qualquer sintoma. Surtos investigados em presídios mostram situações semelhantes.
Como nosso teste “padrão ouro” para Covid, o swab nasal, só serve na fase aguda, é provável que o número real de pessoas que tiveram a doença na Grande Vitória e em todo o Estado seja bem superior ao que conhecemos.
Outra forte teoria é a existência de alguma imunidade prévia. Um estudo publicado pelo grupo de La Jolla, Universidade da Califórnia, no final de junho, mostrou que cerca de 50% de doadores de sangue nos EUA, com amostras antigas de 2015 a 2018, apresentavam reatividade a antígenos do SARSCoV2, atribuída a possível imunidade cruzada contra outros coronavírus já circulantes, causadores de resfriado comum.
Achados sugestivos de alguma imunidade preexistente foram publicados na Holanda, na Alemanha e em Cingapura. Independentemente das causas, há, enfim, justificativas para se caminhar na retomada da vida, mas sem que se abra mão da cautela e do uso de máscaras. O vírus deu uma trégua, mas não desapareceu.
Ensaios de vacinas são longos, por segurança, e isso é bom. A tragédia é que muitas pessoas, por exaustão, indiferença ou falta de civilidade, estão se comportando como se a pandemia tivesse acabado. Existe um enorme contingente de pessoas que estavam isoladas e são ainda suscetíveis. Mesmo jovens se aglomerando sem critérios podem ter formas graves (é imprevisível) ou simplesmente levar seus pais ou avós a risco de vida. Precisamos ainda de muito bom senso e respeito ao outro.