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Ciência

Como o sono 'lava' o seu cérebro quando você dorme

Cientistas de St. Louis especulam se, conhecendo-se com mais detalhe as redes neuronais envolvidas na “faxina” noturna de nossos cérebros, não seria possível interferir na evolução de doenças neurológicas como Parkinson

Públicado em 

06 jun 2024 às 02:35
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

O sono intriga a humanidade há muito tempo. Freud foi um intelectual inovador na sua abordagem dos sonhos. A interpretação dos sonhos ajudou a criar a psicanálise. Existe um paradoxo no ato de dormir. Se aparentemente descansamos, o cérebro mantém atividades diversas.
Na evolução das espécies, os organismos mais desenvolvidos têm bilhões de neurônios com elevada atividade metabólica “empacotados” no crânio. Como constituem a parte mais nobre do individuo, algumas barreiras existem, com a finalidade de proteção contra traumas e mesmo contra agentes infecciosos. Essas barreiras, porém, embora constituam uma vantagem do processo evolutivo, acabaram criando alguma dificuldade para processar o lixo metabólico das células cerebrais.
No último mês de fevereiro, cientistas da Washington University School of Medicine em St Louis, estudando camundongos dormindo, demonstraram curiosa atividade elétrica. Neurônios coordenam ondas elétricas rítmicas que desencadeiam fluxos de líquidos no tecido nervoso, promovendo a limpeza do lixo metabólico produzido ao longo do dia.
Afinal, argumentam os cientistas, as células nervosas orquestram pensamentos, sentimentos, memórias, comandam ações do corpo e têm um delicado processo enzimático que gera um considerável “lixo metabólico”. “Esses neurônios são bombas em miniatura” explica o pó- doutor Li-Feng Jiang-Xie. Não é novo o conhecimento de que ao dormir o cérebro faz um trabalho de regeneração e limpeza dos produtos tóxicos acumulados durante o período de vigília.
No entanto, identificar com precisão quais as redes neuronais envolvidas nesse processo traz ilimitadas perspectivas. Várias doenças cerebrais, incluindo demência e Parkinson, têm relação com proteínas inúteis ou produtos metabólicos que não são removidos adequadamente. Os cientistas de St. Louis especulam se, conhecendo-se com mais detalhe as redes neuronais envolvidas na “faxina” noturna de nossos cérebros, não seria possível interferir na evolução dessas doenças neurológicas.
O neurobiologista dr. Jiang-Xie explica que os pesquisadores acreditam que “lavar” o cérebro é semelhante a lavar pratos. No início, são movimentos lentos de grande amplitude. Depois, ocorrem movimentos mais restritos e velozes em áreas diversas do cérebro. Talvez seja possível interferir nesses movimentos, tornando-os tão eficazes, mas em períodos menores de tempo. E de sono! Imaginem como seria ter um cochilo reparador de poucas horas que seja capaz de causar o mesmo efeito de sono de uma noite muito duradoura e longa?

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço quer refletir sobre saúde e qualidade de vida na pandemia.

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