Mesmo com o resultado do julgamento de Sergio Moro no TRE-PR – que decidiu por 5 votos contra 2 rejeitar o pedido de cassação do seu mandato de senador – o sistema está preparado para fuzilá-lo no TSE. Afinal, o sistema não perdoa aqueles que ousam desafiá-lo, como, aliás, fez com o ex-procurador Deltan Dallagnol.
Tanto Dallagnol quanto Sergio Moro representam, mais do que quaisquer outros, a Operação Lava Jato que colocou na cadeia políticos e empresários que montaram no Brasil “uma corrupção sistêmica, endêmica que não era produto de falhas pessoais, era um modo de conduzir o país” como a ela se referia o ministro do STF Luís Roberto Barroso.
Basta verificar os votos dados no TRE-PR para constatar que os ministros que votaram pela cassação do mandato de Moro foram indicados por Lula e seguiram a linha do “só vou ficar bem quando f... o Moro”, aspiração dita pelo atual presidente em entrevista ao portal “Brasil 247”, em março do ano passado, citando frase que repetia para quem o visitava na prisão em Curitiba.
Nada indica que, no TSE, a votação será diferente da condenação por unanimidade de Dallagnol pela suposição de que ele teria renunciado à promotoria para fugir de uma possível condenação em processo que nem sequer chegou a existir. Ou seja, tribunal – mesmo que tenha mudado a sua composição – que embarca em uma tese absurda como essa é capaz de tudo. E Dallagnol, como se sabe, havia sido inocentado, de forma unânime, no TRE-PR.
Quanto a Sergio Moro, os votos majoritários no TRE-PR demonstram de forma cristalina que as acusações de abuso de poder econômico na campanha eleitoral não se sustentam. Basta lembrar que os autores da ação que pede a cassação do mandato de Moro são os dois principais partidos políticos brasileiros que representam polos opostos no cenário político: o PL, de extrema direita, e o PT, de extrema esquerda.
Ou seja, ambos foram movidos unicamente pela ambição de cassar Moro para, em seguida, tentar ocupar o seu lugar no Senado, mesmo que isso represente anular o voto de quase 2 milhões de eleitores que sufragaram o nome do líder da Lava Jato nas urnas.
A ação do PL e do PT chega ao cúmulo de somar os gastos feitos pelos partidos políticos a que Moro pertenceu e pertence – Podemos e União Brasil – em pré-campanhas cujas candidaturas não vingaram, como a da presidência da República e a do Senado por São Paulo, para argumentar que isso teria desequilibrado o pleito para o Senado no Paraná em favor de Moro.
A desembargadora Claudia Cristina Cristofani bem definiu essa situação ao afirmar que “os atos de pré-campanha de Moro mais prejudicaram do que ajudaram o senador”. A conclusão do relator Luciano Carrasco Falavinha também é cristalina: “Não se provou corrupção, compra de apoio ou mesmo uso indevido dos meios de comunicação, considerando que o investigado Sergio Moro tinha, já de muito tempo, ampla exposição midiática pela sua atuação na Operação Lava Jato”.
São muitos os obstáculos que têm sido colocados na trajetória política de Sérgio Moro. Se ele já era odiado pela esquerda por ter sido o juiz que condenou Lula à prisão (condenação essa que foi referendada pela 8ª Turma do TRF-4 – Tribunal Regional Federal da 4ª Região – e pela 5ª Turma do STJ – Superior Tribunal de Justiça), passou também a ser odiado pela direita ao denunciar a intenção de Bolsonaro de interferir na Polícia Federal.
Frustrada a sua tentativa de se candidatar à Presidência da República, após boicote dos partidos aos quais se filiou, foi impedido de se candidatar a senador por São Paulo por não ter sido aceita a transferência do seu domicílio eleitoral.
E tão logo foi eleito senador pelo Paraná, com uma das mais expressivas votações já obtidas por um candidato no estado, Moro voltou para a linha de tiro, agora visado tanto pela situação quanto pela oposição. Afinal de contas, é o sistema como um todo que reage contra aqueles que sonham que serão capazes de, um dia, acabar com a “corrupção sistêmica, endêmica” a que se referia o ministro Barroso.