Pedro Barusco, gerente executivo de Engenharia da Petrobras, afirmou à CPMI da Petrobras, em março de 2015, que o pagamento de propinas na empresa era “endêmico” e “institucionalizado”, com a participação de 14 empreiteiras. Barusco disse que, com o seu chefe, Renato Duque, diretor de engenharia, recebeu pagamentos relativos a mais de 60 contratos firmados com empreiteiras e confessou, ainda, que organizava a contabilidade da propina.
Em 11 de setembro de 2015, o procurador-geral da República Rodrigo Janot repassou ao presidente da Petrobras R$ 157 milhões desviados por Pedro Barusco, uma parte dos US$ 97 milhões que o ex-gerente admitiu ter recebido como propina. Barusco foi o primeiro dos muitos executivos da Petrobras a confessar participação na corrupção da estatal.
Em 22 de abril de 2015 (governo Dilma Rousseff), a Petrobras divulgou, com atraso, o balanço de 2014 registrando um prejuízo de R$ 21,6 bilhões, o primeiro desde 1991. No documento, a empresa confessa uma baixa contábil decorrente do esquema de pagamentos indevidos (leia-se propinas, corrupção) de R$ 6,194 bilhões.
Ao comentar o balanço, o presidente da empresa, Aldemir Bendine, pediu desculpas em nome dos funcionários da companhia pelo escândalo da corrupção: “Sim, a gente está com sentimento de vergonha por tudo isso que a gente vivenciou, por esses malfeitos que ocorreram”.
Em dezembro de 2016, o Grupo Odebrecht firmou com a Procuradoria-Geral da República um acordo de leniência em que seus 78 executivos, o ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht e seu pai Emílio Odebrecht se declararam culpados por desvios de recursos em contratos com a Petrobras, proporcionando o maior ressarcimento da história mundial, com multas de US$ 3,5 bilhões, 80% destinadas ao Brasil. A Odebrecht foi uma das empreiteiras que confessaram participação na corrupção em contratos da Petrobras.
Em setembro de 2018 o órgão regulador de valores mobiliários dos Estados Unidos multou a Petrobras em US$ 1,78 bilhão por enganar os investidores, manipulando a sua contabilidade, para esconder um esquema fraudulento de pagamento de subornos. O órgão regulador acusou executivos da Petrobras de atuarem com os principais empreiteiros e fornecedores para “inflar em bilhões de dólares o custo dos projetos de infraestrutura”.
Em janeiro do mesmo ano, a estatal havia chegado a um acordo extrajudicial prometendo compensar os investidores norte-americanos afetados pelo escândalo com o pagamento de US$ 2,95 bilhões para encerrar uma ação coletiva que havia sido iniciada havia três anos.
Em setembro de 2009, Lula, em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, disse ter pressionado o Conselho a Petrobras a construir a Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, orçada, quatro anos antes, em US$ 2,3 bilhões. Em janeiro de 2015, a então presidente da Petrobras Graça Foster, no governo Dilma – quando a obra ainda estava na metade e já havia consumido US$ 20 bilhões – cancelou o investimento por inviabilidade técnica e financeira.
A Petrobras, na época, já amargava a posição de empresa mais endividada do mundo, com dívidas de US$ 100 bilhões decorrentes de investimentos mal dimensionados e venda de combustível com preço subsidiado.
Os fatos são esses, para quem quiser recordar. São tantos que, durante a última campanha eleitoral, Lula, no “Jornal Nacional”, admitiu que “não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram”.
Mas agora, se sentindo super empoderado como presidente, Lula tenta, a seu modo, reescrever a história – ou construir uma nova narrativa, como aconselhou ao seu amigo Maduro. Na quinta-feira, 18 de janeiro, ao anunciar a retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima, Lula tentou negar ter havido corrupção na Petrobras, atribuindo as acusações a uma conspiração de “alguns juízes e procuradores desse país, subordinados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (que) não queriam e nunca aceitaram que o Brasil tivesse uma empresa como a Petrobras”.
Ou Lula está com lapsos de memória, ou acha os brasileiros estão dispostos a acreditar em tudo o que diz, por mais absurdo que isso possa ser.