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José Carlos Corrêa

Os políticos só temem mesmo a voz das ruas

Os efeitos na classe política ocorreram antes mesmo da realização da manifestação

Publicado em 31 de Maio de 2019 às 21:43

Públicado em 

31 mai 2019 às 21:43
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Manifestação a favor de Bolsonaro e contra o PT, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília Crédito: José Cruz/Agência Brasil
Foram muitas as críticas à convocação da manifestação realizada no último domingo. Alguns chegaram a dizer que protesto quem faz é a oposição, nunca os movimentos favoráveis ao governo. Que manifestação a favor de governo é própria das ditaduras e não de regimes democráticos. Que protesto a favor não existe. As críticas à convocação foram feitas até mesmo por pessoas e políticos próximos do governo.
Contudo, após o êxito da manifestação de domingo – realizada em 156 cidades de todos os Estados da federação e no Distrito Federal, tomando um vulto que surpreendeu até os seus organizadores – a constatação que fica é a de que quem tem razão é mesmo o inesquecível Ulysses Guimarães. É atribuída a ele uma frase dita no auge de um dos seus inúmeros embates políticos: “A razão e simples: a única coisa que mete medo em político é a voz rouca das ruas”.
E, convenhamos, os efeitos na classe política ocorreram antes mesmo da realização da manifestação. Só a repercussão da convocação dela fez com que os deputados do Centrão – que sabiam que seriam duramente criticados nas ruas, como realmente foram – recuassem do propósito de recriar dois ministérios, deformando uma vez mais a reforma administrativa proposta pelo governo.
Estava escancarado, para todos os brasileiros, que o propósito da recriação dos dois ministérios era ter mais cargos para serem preenchidos por indicação política, como moeda de troca pelo voto favorável à reforma da Previdência, uma prática do velho e manjado “toma lá dá cá”.
Outro recuo do Centrão – aliado ao bloco dos processados na Justiça da situação e da oposição – foi a desistência da criação de obstáculos à atuação dos auditores fiscais que passariam a precisar de autorização judicial para encaminhar informações aos procuradores, medida que tinha o propósito explícito de prejudicar o curso das investigações relacionadas aos crimes financeiros.
Aliás, uma outra iniciativa de efeito danoso ao combate à corrupção – a retirada do Coaf do Ministério da Justiça, contrariando o que dispunha o projeto de reforma administrativa – chegou a ser aprovada, demonstrando que o bloco da impunidade existe e precisava (ou precisa) ter as asas cortadas. A manifestação de domingo só não fez retornar o Coaf à pasta da Justiça por absoluta falta de tempo de fazer isto no Senado.
A manifestação de domingo favorável à reforma da Previdência e ao pacote anticrime – assim como a realizada no dia 15 contra os cortes das verbas da educação – é legítima e bem-vinda. O brasileiro descobriu que Ulysses Guimarães sabia das coisas: os políticos só temem mesmo é a voz das ruas.
 

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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