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Candidatos

Eleições 2022: terceira via e a ligação direta com o eleitor

Só haverá chances reais de chegar a um segundo turno se conseguir se unir em torno de um único nome escolhido entre os que tenham maior apoio do eleitorado na reta final da campanha

Públicado em 

18 fev 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Palácio do Planalto, sede do Executivo federal em Brasília
Palácio do Planalto, sede do Executivo federal em Brasília Crédito: Eduardo Coutinho
Não é preciso ser especialista em campanhas eleitorais para perceber que a terceira via – aquela que se propõe a romper a polarização entre Lula e Bolsonaro – precisará, para ter sucesso nas eleições, construir uma ligação direta com o eleitor que contorne os obstáculos criados pelo atual quadro partidário. Isso pode não ser fácil, mas é plenamente possível considerando a fragilidade e fragmentação dos nossos partidos políticos que não são considerados representativos pela maioria do eleitorado.
Quando dizemos “terceira via” estamos nos referindo aos pré-candidatos, exceto Lula e Bolsonaro, que deverão ter seus nomes, salvo surpresas, homologados pelas convenções partidárias que serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Entre esses nomes estão os de Sergio MoroCiro GomesJoão Doria, Simone Tebet e Rodrigo Maia, entre outros.
Moro, por exemplo, tem o apoio irrestrito de figuras expressivas do Podemos como o da presidente Renata Abreu e dos senadores Alvaro Dias e Marcos do Val, mas parte do partido trabalha para que a verba do fundo partidário seja direcionada, prioritariamente, às candidaturas a deputado federal, o que prejudicaria a campanha à presidência da República.
A frieza com que o deputado Marcelo Santos, do Podemos, se referiu à candidatura Moro no “Papo de Colunista” de A Gazeta, no último dia 9 – quando fez longos elogios a Lula – faz acreditar que se Moro depender unicamente da estrutura do seu partido para se eleger dificilmente será bem-sucedido.
Ciro Gomes enfrenta dificuldades semelhantes com o seu partido, o PDT, tendo até ameaçado renunciar à candidatura em novembro quando a maioria da bancada pedetista na Câmara Federal votou a favor da PEC que adiou o pagamento dos precatórios, contrariando a sua orientação. Além disso, o PDT tem notórias dificuldades de se manter unido em torno de Ciro quando seus candidatos a governador decidem  abrir palanques também para Lula, como no Rio, Maranhão e Sergipe.
Doria também enfrenta o “fogo amigo” de facções dissidentes do PSDB que foram por ele derrotadas nas prévias realizadas em novembro. Eduardo Leite, Aécio Neves, Tasso Jereissati e José Aníbal são alguns dos dissidentes que se reuniram – em um jantar a que Doria chamou de “jantar dos derrotados” – para cogitar desembarcar da candidatura do governador de São Paulo e apoiar um outro candidato.
Quanto a Simone Tebet e Rodrigo Maia, os baixos índices alcançados nas pesquisas de intenção de voto até agora realizadas sinalizam grandes dificuldades de decolagem de suas candidaturas, a ponto de seus partidos – o MDB e o PSD – cogitarem abertamente fechar acordos com outras agremiações. Basta lembrar dois nomes de presidenciáveis que também foram abandonados no meio do caminho pelos seus partidos, como Luiz Henrique Mandetta, do DEM, e João Amoêdo, do Novo.
Dessa forma, para tentar obter os votos do eleitorado “nem-nem” – nem Lula, nem Bolsonaro, que chega a 30%, segundo as mais recentes pesquisas – os candidatos da chamada terceira via devem privilegiar um discurso direto com os eleitores deixando eventuais composições partidárias, se for o caso, para um momento mais próximo das convenções.
Até porque as ridículas votações de Alckmin em 2018 e Ulysses Guimarães em 1989 comprovam que ser candidato de um grande partido nem sempre resulta em votos. E mais: a terceira via só terá chances reais de chegar a um segundo turno se conseguir se unir em torno de um único nome escolhido entre os que tenham maior apoio do eleitorado na reta final da campanha.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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