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Escândalos

E tudo pode se acabar de novo em uma triste pizza

A imprensa, canal que levou ao conhecimento do público a maior parte desses escândalos, fica, em decorrência do sigilo decretado pelas fontes oficiais, sem acesso às informações mais relevantes

Públicado em 

10 abr 2026 às 04:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

À medida que o tempo passa, parece que está se formando, cada vez mais, o ambiente propício para que os escândalos políticos mais recentes da história do Brasil acabem se transformando - como ocorreu com muito outros - em uma triste pizza, como é costume se dizer na linguagem popular verde-amarela.
A imprensa, canal que levou ao conhecimento do público a maior parte desses escândalos, fica, em decorrência do sigilo decretado pelas fontes oficiais, sem acesso às informações mais relevantes, e o meio político acaba desviando suas discussões para o cenário eleitoral. Em outras palavras, os malfeitos acabam sendo empurrados para debaixo do tapete.
Nesse roteiro, a CPMI do INSS encerrou as suas atividades por ter o Supremo Tribunal Federal negado autorização para a prorrogação da sua atuação, sem falar que esse mesmo Supremo brecou as quebras de sigilo bancário e fiscal de investigados, além de autorizar várias testemunhas a não atenderem às convocações para a prestação de depoimentos.
A CPI do crime organizado parece que terá o mesmo destino, enquanto os pedidos para criação de uma CPI sobre o Banco Master não saem das gavetas dos presidentes da Câmara e do Senado.
Tudo muito conveniente para o meio político às vésperas de uma provável delação premiada do dono do Banco Master, caso que já envolve diretamente três ministros do STF e sabe-se lá quantos políticos ligados aos poderes executivo e legislativo. Enquanto isso, a Procuradoria Geral da República prefere dizer que, na sua área de competência, nada há a investigar com relação ao escândalo que o então ministro da Fazenda classificou como “a maior fraude bancária da história do país”.
Não é por outra razão que os políticos preferem desviar a atenção do eleitorado para as próximas eleições, já que os escândalos atingem todos os espectros políticos. O debate eleitoral tende a dissipar as responsabilidades já que a oposição procura jogar no colo do governo a culpa da corrupção, e os governistas fazem o oposto, tentando culpar o governo anterior de ser o responsável. As inúmeras viagens em jatinhos de propriedade dos investigados acabarão por atingir políticos de todos os lados.
Reunião da CPI do INSS para leitura do relatório final do deputado Alfredo Gaspar (de pé)
Reunião da CPI do INSS para leitura do relatório final do deputado Alfredo Gaspar (de pé) Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
A única consequência eleitoral mais previsível a essa altura dos acontecimentos é a tendência, apurada por recente pesquisa da Meio/Ideia, de que 44% dos candidatos ao Senado que defendem o impeachment de ministros do STF teriam maior probabilidade de receber o voto do eleitorado.
Esse dado é corroborado pela Quaest que identificou que 49% do eleitorado não confiam no STF, enquanto 43% dizem que confiam. O Datafolha apurou um índice menor dos que não confiam no STF (43%), mas é importante lembrar que esse percentual é o maior da série histórica do instituto iniciada em 2012.
No Supremo, o presidente Edson Fachin parece ser, ao lado da ministra Carmen Lúcia, uma voz solitária em defesa de um código de conduta que resgate, pelo menos em parte, a credibilidade da corte. Em um dos seus mais recentes pronunciamentos, Fachin voltou a dizer que o “distanciamento saudável” entre os juízes as partes envolvidas nos processos “é fundamental para garantir a imparcialidade e a justiça”. E que o Judiciário não deveria se comportar como “privilégio de casta”.
Parece que a voz de Fachin não é ouvida pela maioria dos seus pares. Há poucos dias o STF não foi capaz de impedir os pagamentos acima do teto salarial constitucional a juízes e membros do Ministério Público. E ainda vacila em acabar com a aposentadoria compulsória com remuneração como pena aos juízes que cometem crimes.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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