Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Despedida

E por falar em saudade nestas noites de lua cheia

Com a morte de Evanilo Silva, médico e precursor da bossa nova no ES, lá se foi uma parte importante da nossa vida, uma parte bonita, poética, de bons momentos

Publicado em 21 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

21 jan 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Era noite de domingo quando recebi a notícia, pelas redes sociais, do falecimento de Evanilo Silva. Na foto postada estava ele, quando jovem, com um grupo de amigos. “Era um dos donos do Hotel Império ali na entrada da nossa amada Rua 7”, escreveu Neni Bustamante. “Grande figura”, “uma pessoa boa e um bom médico”, “grande amigo”, disseram outros.
Sônia Santos recordou que Evanilo “foi o dono do Bob’s” (não o Bob’s da cadeia de fast-food de hoje, mas o Bob’s da Rua 7, capixaba da gema, esclareço). Luiz Cláudio registrou que Evanilo foi seu colega de turma (“a primeira de médicos do Espírito Santo, na Ufes”) e que “era grande pessoa, médico, colega, amigo, virtuose no violão, atleta”.
Penha Valle reforça o talento musical de Evanilo ao dizer que ele “encantava a todos cantando e tocando violão”. Mário Ruy completa: “Evanilo foi precursor da MPB, bossa nova, aqui no ES”. Maura Fraga lembrou que Evanilo era “quase irmão de Cariê”, o Cariê Lindenberg, da Rede Gazeta: “Tocavam aos sábados, um conjunto informal, de velhos amigos. Um excelente médico e grande figura humana”.
Foi assim, em uma “bossa nova session”, que conheci Evanilo. Ele era, de fato, um virtuose no violão, exímio intérprete da bossa nova. Nelson Monteiro confirma: “Roberto Menescal, quando vinha a Vitória, aprendia com o Silva”. Rogério Coimbra lembra que “Cariê dizia que Evanilo ensinou violão ao Menescal”.
Pode não ter sido bem assim, mas é o próprio Cariê quem revela no livro de sua autoria “Vou te contar”, ao descrever que, da “veia boêmia” de Evanilo, “o que o consagrara era sua afinidade com a música”: “Tocava e ainda toca violão com extrema habilidade e eu mesmo cheguei a vê-lo passar uns acordes para ninguém menos do que o grande compositor e guitarrista Roberto Menescal, que recentemente me recordou do fato”.
Cariê e Evanilo foram amigos desde a juventude. Os livros escritos por Cariê estão repletos de citações ao Bob’s da Rua 7 que, após as 22 horas, era um “reduto obrigatório dos boêmios que, aos poucos, iam (...) se agrupando em frente ao bar trazendo instrumentos musicais”. Cariê relata que, durante o período em que foi um “ouvinte comportado e atento observador do movimento bossa nova”, após as suas “frequentes idas ao Rio de Janeiro, de onde trazia músicas novas”, que “tinha o privilégio de aprender com os próprios autores”, repassava as novidades “aos amigos músicos de Vitória” no “sereno da praça Costa Pereira” e no “Hotel Império do aplicado violonista Evanilo Silva”.
Ele se referia ao final dos anos 1950 e início dos anos 1960, quando a bossa nova atingiu o seu esplendor, e era assim descrita por Cariê: “É o próprio samba brasileiro produzido com uma indumentária diferente, mais elegante, simplesmente executado com características diferentes do tudo que existiu antes e depois do movimento; a bossa nova aprimorou não apenas a música (enriquecendo a harmonia e o ritmo), mas também a letra dos sambas brasileiros”. Evanilo foi um dos expoentes capixabas desse movimento. E como me disse, certa vez, Eleisson de Almeida, “para ouvir Evanilo tocar era preciso um silêncio absoluto pois sua interpretação era tão perfeita quanto suave”.
Evanilo era assim, calmo, manso, voz baixa, uma figura humana admirável. Escreveu Nelson Monteiro que, com o falecimento de Evanilo, “perdemos parte de nossa vida”. Ele tem razão. Lá se foi uma parte importante da nossa vida, uma parte bonita, poética, de bons momentos e que nos deixa uma saudade imensa nessas noites plenas de lua cheia do verão de 2022.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Valeria Lattufe e os filhos Laila e Scandar
Valéria Lattufe celebra aniversário com festa na Ilha do Frade; veja fotos
Marketing
Pontos de contato ou proof points
Perspectiva do Porto Central, em Presidente Kennedy
O potencial do parque logístico do Sul do ES em um número

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados