Quem pensou que 2022 começaria melhor que 2021 deve estar percebendo que se iludiu. É só verificar que os equívocos cometidos pelo governo no ano passado estão se repetindo nesse novo ano. Em outras palavras: o governo federal nada aprendeu com os erros que cometeu no passado.
Um desses equívocos mais graves, e que foi devidamente desnudado pela CPI da Covid-19, foi a postergação do início da vacinação. A vacinação poderia ter se iniciado em 2020 se não fosse a resistência do governo em promovê-la. A primeira proposta da Pfizer para venda de vacinas ao governo brasileiro – prevendo entrega de doses ainda em 2020 – ocorreu entre maio e junho daquele ano.
Essa proposta, assim como quatro outras do mesmo laboratório, foi solenemente desprezada. Um outro atraso ocorreu quando o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, voltou atrás em outubro de 2020, por ordem do presidente da República, depois de anunciar ter assinado um protocolo para comprar doses da Coronavac do Instituto Butantan.
A vacinação em massa contra a Covid-19 no Brasil foi iniciada em 17 de janeiro graças à pressão exercida pelos governadores, especialmente o de São Paulo. Naquele dia, Mônica Calazans, enfermeira do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, foi a primeira brasileira a se vacinar em território nacional.
A dose da vacina foi aplicada instantes após a Anvisa ter aprovado o uso emergencial da Coronavac. Segundo o presidente Dimas Covas, do Instituto Butantan, a vacinação poderia ter sido iniciada no ano anterior se não fosse o desinteresse do governo federal.
O atraso na aquisição das vacinas e no início da vacinação foi destaque no relatório da CPI da Covid. E não poderia deixar de ser já que a primeira vacina só foi aplicada quando o Brasil já contabilizava 209 mil mortes causadas pela Covid-19. Quando o Brasil iniciou a vacinação, 56 outros países já estavam vacinando seus habitantes. O Reino Unido, o primeiro a vacinar contra a Covid-19 no Ocidente, iniciou a vacinação em 8 de dezembro de 2020.
Um ano depois, o que estamos assistindo no Brasil? Mais uma postergação patrocinada pelo governo, essa ainda mais vergonhosa, atrasando deliberadamente a vacinação das crianças entre 5 e 11 anos. Uma vacinação que poderia ter se iniciado há várias semanas já que a vacina da Pfizer foi aprovada pela Anvisa em 16 de dezembro.
Mas, ao invés de acelerar o início da imunização das crianças, o que faz o governo? Adia a decisão, levanta dúvidas sobre a eficácia da vacina e cria obstáculos ridículos para o início da vacinação como inventar uma “consulta pública” – que nunca existiu em campanhas anteriores de vacinação – para dificultar o processo.
E tudo isso sob argumentos vergonhosos apresentados pelo ministro da Saúde – com o agravante de, agora, ser um médico e não um militar – de que a quantidade de crianças mortas por Covid-19 no Brasil não justificaria uma tomada rápida de providências.
Começamos 2022 vendo o governo repetir os mesmos equívocos de 2021. Não só na assistência à saúde, como também na política fiscal, no meio ambiente, na educação, nos direitos humanos, nas relações diplomáticas, na distribuição de fake news nas redes sociais, na adoração ao autoritarismo, etc, etc, etc. Até quando?