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Imprensa

Duas Gazetas na história da Rede

Entre 1940 e 1942,  dois grupos disputaram o controle da empresa e o jornal chegou a ficar sob intervenção do Conselho Nacional de Imprensa

Públicado em 

15 set 2023 às 00:30
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Um dos episódios que mais chamavam a atenção de Cariê Lindenberg na história dos 95 anos da Rede Gazeta era o ocorrido entre 1940 e 1942, quando dois grupos disputaram o controle da empresa e o jornal chegou a ficar sob intervenção do Conselho Nacional de Imprensa.
Na disputa se envolveram, além de acionistas e diretores, também gerentes e funcionários. Tive a oportunidade de pesquisar o assunto e foram várias as vezes nas quais Cariê manifestou a sua curiosidade com relação ao período em que duas empresas disputaram a propriedade do mesmo jornal.
Tudo começou em 3 de junho de 1938 quando foi organizada a S/A A Gazeta – cujo sócio majoritário era Oswald Guimarães – que adquiriu o acervo de A Gazeta Limitada. Na nova empresa, Carlos Lindenberg, pai de Cariê, era um acionista minoritário. Em 25 de agosto do mesmo ano, os acionistas escolheram Francisco Clímaco Feu Rosa como diretor-presidente, e Armênio Clóvis Jouvin, um jornalista carioca, como diretor-geral da sociedade e diretor-gerente técnico orientador (era esse mesmo o nome do cargo) do jornal.
Dois anos depois ocorreu a cisão entre acionistas e diretores. De um lado ficou o “Grupo Guimarães”, ou seja, os irmãos Oswald, Oscar, Orlando e Alcides, e de outro ficou o diretor Armênio Jouvin. Em uma assembleia realizada em 14 de agosto de 1940, Armênio renunciou e, no dia seguinte, Oswald Guimarães designou o professor e advogado Mário da Silva Nunes como gerente do jornal.
Mas Armênio não se conformou com a substituição por entender que havia renunciado, apenas, ao cargo de diretor e não à gerência. E se negou a sair da empresa argumentando que tinha direito a um mandato de 3 anos como lhe teria sido prometido quando da sua admissão. E, ainda, que só poderia ser afastado por uma assembleia e com o recebimento de uma multa.
Armênio, além de se manter no comando do jornal, entrou na Justiça com uma ação em que fazia acusações ao Grupo Guimarães por supostas irregularidades na aquisição de ações da empresa. E mesmo com o boicote de fornecedores (principalmente o de papel), conseguiu manter A Gazeta em circulação.
Na 1ª Vara Cível o Grupo Guimarães conseguiu um novo registro para o jornal A Gazeta, mantendo o mesmo endereço (Rua General Osório, 119) e nomeando como diretor-responsável o jornalista Manoel Teixeira Leite. Em 29 de novembro Armênio, depois de demitir Manoel Leite, formalizou denúncia contra o Grupo Guimarães no Tribunal de Segurança Nacional e passou a chamar a “sua” Gazeta de “S/A A Gazeta (em constituição)”.
A cisão chegou aos funcionários. Dois terços deles ficaram ao lado do Grupo Guimarães e, mesmo abandonando as suas funções, continuaram a receber salários. Armênio interpretou a atitude como uma greve e comunicou o ocorrido ao Departamento de Imprensa e Propaganda, na época o todo poderoso DIP do Governo Vargas.
A batalha judicial prosseguiu em 4 de dezembro quando o Grupo Guimarães solicitou à 1ª Vara Cível a reintegração de posse da redação e oficina do jornal. Armênio suscitou um conflito de jurisdição argumentando que o caso não deveria ser decidido pela justiça estadual e sim pelo Tribunal de Segurança Nacional. Provocado, o Tribunal instaurou inquérito em 26 de dezembro.
Redação de A Gazeta em 1982
 Redação do Jornal A Gazeta em 1983 Crédito: Chico Guedes
Enquanto a batalha judicial avançava, houve denúncias de ameaças de morte de parte a parte. Em 3 de julho de 1941 circulou a última edição de A Gazeta com o nome de Armênio Jouvin como diretor. Como desfecho do inquérito do Tribunal de Segurança Nacional, o Conselho Nacional de Imprensa interveio no jornal nomeando um novo diretor, Heitor Rossi Belache.
Em 3 de outubro de 1941 a 3ª Vara de Vitória concedeu a reintegração de posse ao Grupo Guimarães. Em 17 de junho de 1942, o Conselho Nacional de Imprensa determinou o fim da intervenção no jornal. Em 18 de agosto o jornal retornou formalmente às mãos do Grupo Guimarães que manteve como diretor Heitor Belache, normalizando a situação da empresa. O Grupo Guimarães manteve o controle do jornal até 1945 quando decidiu vendê-lo para o empresário Eleosipo Cunha.
Dois anos depois, Carlos Lindenberg, então governador do Espírito Santo, pai de Cariê, se tornou o acionista majoritário de S/A A Gazeta.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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