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Após as eleições

A página virou, e só Bolsonaro não viu

Daqui a alguns dias Lula será diplomado e empossado. Não importa se com a presença ou a ausência do atual presidente

Publicado em 02 de Dezembro de 2022 às 02:00

Públicado em 

02 dez 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Presidente Jair Bolsonaro (PL) mantém silêncio sobre vitória de Lula (PT) nas Eleições 2022
Presidente Jair Bolsonaro (PL) mantém silêncio sobre vitória de Lula (PT) nas Eleições 2022 Crédito: Eduardo Anizelli/ Folhapress
As eleições se encerraram, o resultado foi proclamado com a vitória de Lula, e Bolsonaro permanece em silêncio, muito provavelmente para não ter que reconhecer a sua derrota. Sem colocar as suas digitais à frente, insistiu para que o seu partido, o PL, ingressasse no Tribunal Superior Eleitoral com um pedido de anulação de 279 mil urnas de fabricação anterior a 2020 utilizadas no segundo turno das eleições, alegando que essas urnas não seriam auditáveis por terem um único número de série. Curiosamente – seria melhor dizer espertamente – não foi pedida a anulação dessas mesmas urnas no primeiro turno das eleições.
Não é preciso ser adivinho para perceber que a Bolsonaro não interessa contestar o resultado do primeiro turno das eleições, já que o seu partido, o PL, elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados. E que seu candidato ao governo de São Paulo foi vitorioso. E, ainda, que numerosos correligionários seus conquistaram cadeiras no Senado. Assim, o que interessa aos bolsonaristas é tentar melar o segundo turno que deu a vitória a Lula. Com a anulação dos votos das 279 mil urnas (60% do total), a vitória no segundo turno seria de Bolsonaro.
A iniciativa do PL – partido presidido pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, um dos condenados no escândalo do mensalão – não surpreendeu porque o propósito de Bolsonaro em tentar melar as eleições já estava desenhado há muito tempo. Dia sim e outro também, Bolsonaro revelava duvidar das urnas eletrônicas, chegando ao desplante de garantir que teria vencido no primeiro turno em 2018 e que, em 2014, Aécio Neves teria derrotado Dilma Rousseff. Ou seja, Bolsonaro criou e alimentou a versão de fraude eleitoral para, em caso de derrota, continuar proclamando que foi roubado. Um script que é uma cópia do que Donald Trump fez e faz nos Estados Unidos.
O que Bolsonaro não esperava – e muito menos o seu amigo Valdemar – era a reação vigorosa do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE. Moraes, alegando litigância de má-fé – já que a ação não apresentava qualquer prova de fraude eleitoral –, não só rejeitou o pedido do PL, como aplicou ao partido uma multa de R$ 22,9 milhões, além de incluir Valdemar Costa Neto no inquérito das milícias digitais antidemocráticas. Para garantir o pagamento da multa, Moraes bloqueou R$ 13,5 milhões do fundo partidário que o PL mantém no Banco do Brasil.
A base de apoio de Bolsonaro ainda procura manter engajada a militância que acredita na tese da fraude eleitoral e que alimenta as redes sociais de fake news e se mantém acampada em frente às unidades militares em várias partes do Brasil. Nos acampamentos e nas redes sociais o que se ouve são pedidos de intervenção militar e prisão de ministros com dissolução do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal Eleitoral. No parlamento, deputados tentam requerer a instalação de uma CPI para investigar abusos de autoridade dos ministros do STF. Ainda sonham, enfim, com algo que possa impedir a posse do presidente eleito.
A história, contudo, segue a sua marcha. A transição que prepara a posse do novo presidente anda a pleno vapor. Daqui a alguns dias Lula será diplomado e empossado. Não importa se com a presença ou a ausência de Bolsonaro. O choro de perdedor do presidente já é uma página virada da história brasileira. A página já virou e só Bolsonaro ainda finge não ter visto.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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