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Homenagem

Prêmio Dom Luís 2020 será diferente diante da realidade do coronavírus

Em sua vida, Dom Luís compreendeu que o bispo não é apenas um pastor local. É um peregrino e seu destino é caminhar

Públicado em 

19 ago 2020 às 05:00
João Baptista Herkenhoff

Colunista

João Baptista Herkenhoff

Catedral Metropolitana, tradicional local de início da Romaria dos Homens vazia
Catedral de Vitória: Dom Luís Gonzaga Fernandes foi bispo auxiliar da Arquidiocese da Capital Crédito: Fernando Madeira
Devido à pandemia do coronavírus, que desaconselha reuniões com a presença de grande número de pessoas, a Comissão do Prêmio Dom Luís decidiu que, neste ano, a outorga da premiação seja realizada de forma virtual.
Não obstante este cuidado, será dada a máxima divulgação ao evento. O insight para criar este prêmio brotou da inteligência do padre Alberto Fontana.
Recebendo a sugestão, o ex-governador Paulo Hartung aprovou-a com entusiasmo. Merece parabéns o governador Renato Casagrande por incorporar o Prêmio Dom Luís ao calendário cívico do Estado.
A cerimônia, como já é tradicional, ocorrerá no dia 24 de agosto.
Dom Luís Gonzaga Fernandes foi bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória. Exerceu seu pastoreio ao lado de dom João Baptista da Mota e Albuquerque, arcebispo metropolitano.
Embora dom João tivesse o título de arcebispo e dom Luís fosse bispo auxiliar, essas denominações não traduzem dependência ou hierarquia. Bispo é bispo e até o papa define-se como bispo de Roma.
Nós tivemos a presença de dom Luís Gonzaga Fernandes, como bispo auxiliar de Vitória, durante 15 anos.
Quando foi transferido para Campina Grande, essa transferência nos desagradou. Lembramo-nos dos primeiros tempos do Cristianismo, quando as comunidades cristãs escolhiam os bispos.
Sentimo-nos feridos porque fomos despojados de nosso bispo, sem qualquer consulta a nossas opiniões. Dom Luís Gonzaga Fernandes faleceu no Estado da Paraíba, no dia 4 de abril de 2003.
Dom Luís compreendeu que o bispo não é apenas um pastor local. É um peregrino e seu destino é caminhar.
De um lado, é um homem ligado a seu tempo e preocupado com o destino do seu país, da América Latina, do mundo e, dentro do mundo, especialmente preocupado com os países pobres e os pobres dos países pobres.
De outro lado, é o nordestino, tem a fibra nordestina, capaz de vencer qualquer barreira, esperar qualquer espera, fiado não no provérbio popular (Deus tarda mas não falha), porém, num outro provérbio ainda mais rico de esperança (Deus nunca tarda, nós é que somos apressados).
Sempre vi em dom Luis a figura do profeta, aquele que nunca se omite quando deve anunciar a Justiça e denunciar a injustiça. Outro traço notável seu é a capacidade de valorizar as pessoas, identificar os dons de cada um e fazer com que frutifique toda a potencialidade de seus colaboradores.

João Baptista Herkenhoff

É juiz de Direito aposentado e escritor. Aborda temas atuais com uma visão humanista, com foco nos direitos humanos. Escreve às quartas

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