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É jornalista e cronista

Dietas malucas são retrato de quem se olha sem se reconhecer

Deu tudo de si, se é que me entendem, e ainda assim perdeu a guerra contra a balança

Publicado em 09/05/2019 às 15h27
Dietas malucas. Crédito: Amarildo
Dietas malucas. Crédito: Amarildo

Martina é dessas mulheres que só dizem sim. Não pra uma pedra falsa ou um sonho de valsa como na canção do Chico. Sua ação afirmativa com direito a lamber os beiços secos é voltada pra quem lhe segreda alguma dieta maluca. Se tem alguém que não se furta em encarar qualquer dieta da Pedra Lascada, essa é Martina, capaz de saborear pratos de rocha vulcânica e se lascar toda pela promessa de perder uns quilinhos.

Já provou de tudo, mesmo aconselhada sobre a estupidez de receitas sem o menor lastro científico, com reprovação de médicos. Ela insiste e, nesse banquete ao contrário, experimentou, por exemplo, a dieta do passarinho. Aquela que se come migalhas de alpiste, porque migalhas de pão Martina só provará na próxima encarnação. “Pão não” é mantra pra quem vive na desnutrição desse tipo de dieta.

A dieta do gelo foi outra que deixou seu paladar insípido, inodoro e incolor, espécie de sorvete de nada, sobremesa de dar água na boca. Literalmente. Depois foi a vez da banana. Passava o dia inteiro dando de comer àquele nosso ancestral, o macaco interior no estômago. Não se sabe o quanto emagreceu, mas vazou a informação de que o mico de Martina alcançou o cume da montanha dos gorilas. Quem manda esquecer da marchinha maliciosa: “banana, menina, tem vitamina, banana engorda e faz crescer”. Efeito contrário.

A dieta do tipo sanguíneo foi outra tentativa sem sucesso. Com seu tipo O, doadora universal, acabou confundindo a meta de emagrecimento e doou até o que não estava prescrito. Deu tudo de si, se é que me entendem, e ainda assim, suando em bicas na cama redonda, perdeu a guerra contra a balança.

Martina segue a sanha de perder peso, mesmo que isso lhe custe corridas fora de hora ao banheiro, dores de cabeça só de pousar os olhos sobre o chocolate, noites de insônia. É o retrato do desajuste de quem se olha sem se reconhecer naquele corpo, a imagem desfocada que não dá permissão pra desfrutar da sua identidade, a real. O desespero pelo corpo a que chamam perfeito dá a dimensão da nossa imperfeição. Uma boa terapia dissolveria muita gordura dessas mentes, eis a melhor dieta.

 

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