Finalmente, o dia histórico chegou. Após anos de uma espera que se
tornou parte do imaginário coletivo dos capixabas, o Cais das Artes
finalmente deixa de ser uma promessa para se tornar o epicentro da
cultura no Espírito Santo.
Localizado na Enseada do Suá, o complexo é uma ode à arquitetura brutalista, assinado pelo mestre capixaba Paulo Mendes da Rocha, um dos maiores nomes da arquitetura brasileira contemporânea. Com seus vãos monumentais e o concreto que parece flutuar sobre a baía de Vitória, o edifício estabelece um diálogo poético entre a cidade e o mar.
O cais é, por definição, o limiar entre a terra firme e a incerteza do horizonte; o local sagrado de partidas e de chegadas. O Cais das Artes nasce como um divisor de águas para a nossa cultura e insere definitivamente o Espírito Santo no circuito das grandes equipamentos culturais do mundo.
Amazônia de Sebastião Salgado: um reencontro emocionante no coração de Vitória
A inauguração do Cais não poderia ser mais grandiosa: o museu
torna-se o porto onde a arte de Sebastião Salgado aporta
para nos emocionar profundamente. Tive o privilégio de visitar a
exposição Amazônia anos atrás, no SESC Pompeia,
em São Paulo, mas vê-la agora no Cais das Artes, na minha própria
cidade, tem um valor simbólico incomensurável. Especialmente após
ter tido a honra de conhecer Salgado pessoalmente em sua última
vinda a Vitória.
Sebastião Salgado construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com as questões humanas, sociais e ambientais do nosso tempo. Na exposição Amazônia, ver seu olhar sensível e generoso é impactante. Ele nos revela toda a potência, a exuberância e a grandiosidade deste que é um dos biomas mais importantes do mundo — e que hoje se encontra severamente ameaçado.
Suas imagens mostram também a força, a sabedoria e a resistência dos povos originários, os verdadeiros guardiões dessa floresta e de suas culturas.
A exposição é um convite à imersão e à consciência. São cerca de 200 fotografias em preto e branco, fruto de sete anos de expedições às regiões mais remotas da floresta.
Sigo inspirada por esse grande artista e ativista que mostrou, em suas fotografias, as grandes belezas e as grandes mazelas deste mundo.
Sebastião Salgado continua vivo por meio de suas obras e é possível sentir sua presença, ao visitar a exposição. É uma obra que emociona profundamente e nos faz um convite: o de nos conectarmos e cuidarmos da natureza que nos cerca, nos alimenta e mantém a vida."