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Segurança pública

Sucesso das polícias não é medido pelo número de prisões

É preciso trocar quantidade por qualidade. Tirando de circulação as pessoas certas, com prova robusta, o ES vai caminhar na direção de se tornar um estado cada vez mais seguro

Publicado em 26 de Março de 2023 às 00:10

Públicado em 

26 mar 2023 às 00:10
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Homem de 76 anos é preso por furtos de sacas de café no Caparaó
Homem de 76 anos é preso por furtos de sacas de café no Caparaó Crédito: Divulgação/ Polícia Militar
Agora foi a PM quem realizou um bom trabalho de inteligência, identificando e prendendo um suspeito de furto e receptação de bens agrícolas. Tudo bem que não foi exatamente durante um patrulhamento preventivo, mas com certeza as vítimas ressarcidas não estão preocupadas com essas filigranas. Tomara que Polícia Civil e Polícia Militar comecem uma saudável competição para saber quem contribui mais para a segurança do agronegócio capixaba. E também, claro, podem integrar seus esforços.
Quem trabalha no campo está muito exposto ao furto tanto de sua produção como de insumos e maquinário. É tudo relativamente fácil de vender a bom preço. Como está tudo espalhado em um espaço muito grande, fica difícil tanto o patrulhamento ostensivo como a instalação de câmeras e alarmes, por exemplo. Se a vida do empresário urbano já é dura, a do rural pode ser muito mais. Além das naturais incertezas da economia, do mercado da política etc., além de ficar rezando por chuva e sol na hora certa, ele precisa tomar conta do seu patrimônio distribuído pela propriedade.
Ainda têm sido notícias esparsas, mas alvissareiras. O mais difícil é começar: quando se pega o fio da meada e se continuam aprofundando as investigações, geralmente mais prisões são efetuadas e quadrilhas inteiras, desbaratadas. Além de muito impacto positivo na economia capixaba, é sempre importante ressaltar que esses resultados são obtidos sem implicar maiores pressões sobre a população carcerária e, portanto, sem agravar a superlotação.
É que acaba sendo feito um número relativamente pequeno de prisões; além disso, ao contrário do tráfico, os criminosos postos fora de combate não são substituídos. Isso acarreta uma redução imediata e sustentável no número de crimes que se quer combater.
Dá trabalho, mas é exatamente essa a ideia. O sucesso do trabalho das polícias não deve ser medido pelo número de prisões, mas pela diminuição da violência. Então, é preciso trocar quantidade por qualidade. Tirando de circulação as pessoas certas, com prova robusta, o ES vai caminhar na direção de se tornar um estado cada vez mais seguro, com ambiente atrativo para as atividades econômicas, a custo relativamente baixo e com eficiência. Que venham mais manchetes desse tipo.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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