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Violência

As escolas ainda são o lugar mais seguro para crianças

A verdade é que temos apenas hipóteses sobre o que leva alguns adolescentes e até crianças a agredir mortalmente seus amigos e professores

Públicado em 

02 abr 2023 às 00:01
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Adolescente esfaqueia professores e aluno em escola de São Paulo
Adolescente esfaqueia professores e aluno em escola de São Paulo Crédito: Reprodução/TV Globo
Eis que, mais uma vez, o noticiário da semana foi tomado por uma ação selvagem, aterrorizante e absolutamente incompreensível de um aluno contra professores e colegas. A brutalidade e a irracionalidade da tragédia chocaram o país inteiro e, nesse clima de comoção, logo aparecem declarações, opiniões e, principalmente, soluções mágicas para um problema que ninguém entende e cujo tamanho não é percebido adequadamente.
Para encontrarmos as respostas, primeiro precisamos admitir a dúvida. Infelizmente, muita gente, especialmente políticos eleitos, quer pular essa fase. A verdade é que temos apenas hipóteses sobre o que leva alguns adolescentes e até crianças a agredir mortalmente seus amigos e professores. Inquéritos policiais não têm essa finalidade, mas apenas produzir a prova para decisões jurídicas.
De fato, a polícia não tem ferramentas necessárias para um aprofundamento nas questões psicológicas, e nem essa função ou obrigação. Em resumo, na melhor das hipóteses, conseguimos identificar e apreender os autores desses crimes, mas uma visão absolutamente superficial, pouco confiável e não sistematizada sobre a sua motivação, que é exatamente o necessário para qualquer esforço preditivo ou preventivo.
Assim mesmo, na mais completa escuridão, vêm aos jornais e aos grupos de WhatsApp ideias absurdas como a de colocar um policial em cada escola, ou nelas instalar portas giratórias com detectores de metais. Essas soluções já nascem com uma dificuldade insuperável: são absurdamente caras. Além disso, destruiriam o ambiente necessário ao aprendizado, tornando os locais de ensino uma espécie de presídio para quem não cometeu nada de errado.
Esse é um ponto importante. Acidentes aéreos costumam envolver centenas de vítimas fatais, então rendem muito noticiário, o que leva a população a uma falsa percepção quanto aos riscos efetivamente envolvidos. E muitos imaginam que é mais seguro viajar de automóvel que de avião, o que as estatísticas mostram estar completamente equivocado.
Da mesma forma, muito mais crianças são vítimas de seus próprios pais ou outros familiares, fazendo com que as escolas, apesar desses incidentes traumatizantes, continuem sendo os ambientes mais seguros para elas, mais que seus próprios lares. Então, não há razão para medidas irracionais, quase histéricas e obviamente ineficientes.
Temos uma única iniciativa de eficiência mais que comprovada a custos bastante baixos, o policiamento escolar especializado, realizado pela PMES junto com a Sedu, que também é replicado por algumas guardas municipais. Essa modalidade de policiamento preventivo não afeta o ambiente de aprendizado e reduz drasticamente não apenas a violência na escola, mas também atos de indisciplina. Não é focado em assassinatos, mas certamente ajudaria, até porque evita o bullying, que certamente contribui para essas ações que parecem vindas de filmes de terror.
Quanto ao mais, só sei que nada sabemos. Está passando da hora de as secretarias de Educação, em parceria com outros órgãos, investigarem esses episódios não com a finalidade de punição dos responsáveis – isso a polícia já faz – mas para descobrir, com rigor científico, o que leva a esses comportamentos e o que poderia preveni-los. Chega de achismos, de lugares comuns e de autoridades públicas que não podem admitir não ter uma solução no bolso.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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