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Coronavírus

Os muitos dias em que vivemos em perigo na nossa História

As pestes são cíclicas na história da humanidade e vêm para nos mostrar nossa perenidade e finitude. Cuidemo-nos, pois!

Publicado em 13 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

13 abr 2020 às 05:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Cloroquina apresentou resultados promissores em dois estudos preliminares contra o coronavírus, mas ainda não há provas de sua eficácia
O novo coronavírus se espalha: a humanidade já vivenciou outras pandemias Crédito: Jukka Niittymaa/ Pixabay
São tensos os dias em que vivemos, semiconfinados com os nossos familiares em nossas residências e a maldita/bendita rede social que nos torna conectados a tudo o que acontece, em todo lugar e a todo momento. Epidemias ou pandemias sempre houve, no mundo, e sempre haverá, mas nunca tivemos tanta informação, verdadeira ou falsa, sobre a peste que nos ronda. Desde o séc. V a. C, já se tinha notícia da peste que acometeu Atenas, pelos relatos de Tucídedes. A mais conhecida de todas foi a peste negra ou bubônica, surgida em 1347-1353, transmitida por pulgas de ratos e, que, provavelmente, originou-se na Ásia. Pode ter matado 50 milhões de pessoas, quase dois terços da população mundial.
No Brasil, tivemos a epidemia de varíola e a de tuberculose, trazidas pelos portugueses, que dizimou quase toda a população indígena do litoral. O padre Manuel da Nóbrega, superior dos jesuítas vindos em 1549, era tuberculoso, e, aqui, no Espírito Santo, milhares de índios aldeados em Santa Cruz, Nova Almeida e Benevente faleceram.
A febre amarela, trazida por navios negreiros, em 1685,  alastrou-se por Pernambuco, a principal capitania, e ainda sobrevive entre nós, tendo ressurgido há pouco tempo. Em 1849, o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, foi contaminado pela peste negra, a mesma que destruiu a Europa na Idade Média, por navios vindos de Nova Orleáns ou Cuba. Também grassou entre nós a epidemia do cólera, que até hoje devasta o Haiti.
No entanto, a mais parecida com a que nos acomete hoje foi a gripe espanhola, que se alastrou ao fim da Primeira Guerra Mundial, 1918-1919, e cuja origem está nos EUA ou na China. Era uma mutação do vírus influenza e matou cerca de cinquenta milhões de pessoas no mundo, inclusive o ex-presidente da República do Brasil, Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848-1919). A gripe espanhola chegou ao Brasil em setembro de 1918, trazida por passageiros desembarcados em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Acredita-se que contaminou metade da população paulistana, e medidas de isolamento foram tomadas como decreto de fechamento de escolas, repartições públicas e alguns tipos de comércio, contudo, cerca de 35 mil pessoas morreram.
Outras epidemias mundiais são a do ebola, identificada na África, em 1976; a da Aids, surgida nos anos 1980, nos EUA; a do SARS, em 2002-4, a gripe suína do H1N1, em 2009, que evoluiu para a gripe A, aviária, e de janeiro de 2009 a agosto de 2010 contaminou mais de um bilhão de pessoas, tendo matado cerca de quinhentas mil. Foi a penúltima grande pandemia da história da humanidade, muito parecida com a que vivemos hoje, a de Covid-19. As pestes são cíclicas na história da humanidade e vêm para nos mostrar nossa perenidade e finitude. Cuidemo-nos, pois!

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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