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1º de janeiro

No Dia Mundial da Paz, as guerras que não cessam pelo mundo

Para pacificar o planeta, precisamos nos desarmar e destruir as armas de que dispomos. Disse Erich Fromm: “Se o homem se torna indiferente à vida, não há mais esperança de poder escolher o bem”

Públicado em 

01 jan 2024 às 01:30
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Hoje, primeiro dia do novo ano, é o Dia Mundial da Paz, ou deveria ser, pois o mundo vive um período conturbado de guerras, sendo a mais recente no local onde, conforme a tradição, Jesus nasceu. Em Belém, não houve Natal, enfeites, árvore, cantos, celebrações, pois a poucos quilômetros dali uma guerra fratricida, desumana, desigual, é travada entre israelenses e terroristas do Hamas.
Todavia, não são os guerrilheiros que atacaram Israel as principais vítimas dessa guerra estúpida, mas as milhares de crianças palestinas de Gaza. Em sua homilia de Natal, o papa Francisco disse: “E, nesta noite, o nosso coração está em Belém, onde o Príncipe da Paz ainda é rejeitado pela lógica perdedora da guerra, com o estrondo das armas que ainda hoje O impede de encontrar alojamento no mundo".
Há dois mil anos, Jesus, o Príncipe da Paz, nasceu em Belém, conforme os Evangelhos, para anunciar um novo mundo para a Terra, em que deveria imperar o amor, e não o ódio; a paz, e não a guerra; a justiça, a fraternidade, a igualdade social. Até hoje, os ensinamentos de Cristo são uma utopia e, ali mesmo, nas proximidades de onde nasceu, uma guerra civil terrível se desencadeia na Síria, há treze anos. Mais de 350 mil pessoas morreram e muitas outras fugiram, mais de 6 milhões, buscando a paz em outros lugares.
Um pouco mais abaixo, no fim da Península Arábica, a Guerra no Iêmen, iniciada pelos rebeldes Houthi, em 2015, que expulsaram o governo de Sanaa, a capital, apoiados pelo Irã, controlam parte do território e enfrentam o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita. De acordo com a ONU, cerca de 240 mil pessoas já morreram desde então, a maioria mulheres e crianças. Como em Gaza.
Na África, há guerras em Burkina Faso, na Somália, no Sudão, na Nigéria e na Etiópia, a Guerra do Tigré, iniciada em 2018, quando o primeiro-ministro ordenou uma operação militar contra a Frente de Libertação do Povo do Tigré. Mais tarde, a Eritreia juntou-se às operações contra a TPLF, iniciando um conflito regional que ainda persiste e no qual foram feitas inúmeras acusações de atrocidades contra a população do Tigré. Em novembro de 2022, a Etiópia e a TPLF assinaram um acordo para cessar “permanente” as hostilidades, mediadas pela União Africana, e o conflito diminuiu de intensidade, embora a Eritreia não tenha feito parte do acordo e as tensões persistam.
A guerra na Ucrânia, iniciada há quase dois anos, com a invasão da Rússia a territórios ucranianos, ainda se mantém com baixas dos dois lados. Esse conflito bélico no coração da Europa lembra as grandes batalhas entre tanques, soldados, aviões e navios da Segunda Guerra Mundial, com perdas impossíveis de calcular.
A Ucrânia, ex-república soviética que se tornou independente em 1991, mantém uma relação histórica tensa com a Rússia, e nos últimos anos tem-se aproximado da Europa e dos Estados Unidos, inclusive manifestando a sua intenção de aderir à Otan e à União Europeia. Moscou citou a expansão da Otan no leste europeu como uma das principais causas da guerra, bem como o seu apoio aos separatistas pró-Rússia que travam uma guerra civil em Donbass com o governo ucraniano desde 2014, ano da tomada da Crimeia pelos russos.
Sistema M142 Himars americano, que será enviado à Ucrânia durante exercício no Marrocos.
Sistema M142 Himars americano, que será enviado à Ucrânia durante exercício no Marrocos. Crédito: Fadel Senna/AFP
Para as Nações Unidas, o mundo vive uma “nova era de conflito e violência” marcada por uma letalidade mais baixa do que no século 20 – especialmente na primeira metade – mas com cada vez mais países expostos a essa violência.  Os conflitos entre grupos dentro de um território são mais comuns do que entre Estados. Urge uma campanha mundial de desarmamento. A poderosa indústria bélica (norte-americana, russa, chinesa, iraniana, israelense) vive e se enriquece da produção de armas e de fomentar guerras pelo mundo.
Para pacificar o planeta, precisamos nos desarmar e destruir as armas de que dispomos. Disse Erich Fromm: “Se o homem se torna indiferente à vida, não há mais esperança de poder escolher o bem; então, o seu coração terá endurecido tanto que a sua vida terá terminado”. Pode-se eliminar as armas da sociedade, mas o grande desafio é educá-la para a paz. Deixo essa reflexão no primeiro dia do ano, que deveria ser o “Dia Mundial da Paz”.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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