A Bíblia nos diz que ”os dias da nossa vida chegam a 70 anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a 80 anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando” (Salmos 90,10). Creio que se a Bíblia fosse escrita hoje, esse limite se estenderia a 90 ou 100 anos.
Temos visto, no cenário cultural, pessoas chegarem aos 90 anos, participando ativamente da vida e desempenhando funções profissionais com o mesmo zelo que tinham nos anos de juventude. Bibi Ferreira atuou até os 95 anos, Nathália Timberg e Laura Cardoso já passaram dos 90 e Fernanda Montenegro chega lá neste ano, com participação ativa em filmes, novelas e teatro.
Convivo com escritores e intelectuais na Academia Espírito-santense de Letras e, ainda que “imortais” no espírito e na memória, todos se vão, mais cedo ou mais tarde, já que a finitude é intrínseca ao ser humano, mas impressionam o vigor e a vitalidade com que muitos chegam aos 90 ou 100 anos, lendo, escrevendo, publicando. Hoje, faremos eleição para ocupar a vaga na cadeira 09, que pertencia a Américo Barbosa de Menezes, professor e procurador federal, que faleceu o ano passado, um mês antes de completar 101 anos.
Dos atuais acadêmicos, 14 já passaram dos 80 anos e quatro dos 90. Dentre esses nonagenários, estão o nosso decano, o eterno professor Aylton Bermudes, que fará 98 anos em julho; Dª Anna Bernardes, nossa inesquecível Secretária de Educação, que completará 92, também em julho; e o ex-desembargador e ex-presidente da AEL, a quem sucedi no cargo, Rômulo Salles de Sá, que completará 96 anos em novembro.
Por completar 90 anos nesta semana, no dia 12/06, destaco a escritora, professora e historiadora Neida Lúcia Moraes, que, desde menina, revelou inclinação para as letras, escrevendo histórias infantis e poemas que recitava na escola. Neida Lúcia foi professora da Ufes e ocupou cargos de destaque na administração pública e começou a publicar romances em 1967, com “Olhos de Ver”, obra premiada pelo Instituto Nacional do Livro e que lhe abriu as portas para a literatura e para convites a Portugal.
Depois, publicou “Sete é número ímpar” (1971), obra reescrita e publicada o ano passado com o título de “A Fúria do Vento”; “O mofo no pão” (1984) foi indicada para o vestibular da Ufes e teve muitas tiragens; “O sentido da distância” (1985), “À sombra do holocausto” (2010). Além desses romances, Neida escreveu livros didáticos como “O Espírito Santo é assim” (1971), “Espírito Santo, esta é a sua terra no Brasil” e “Espírito Santo. História de suas lutas e conquistas.” Neida foi a segunda mulher a entrar na AEL, em 1984, e, lúcida e ativa, chega aos 90 anos com novos projetos. A ela, a nossa homenagem e os nossos parabéns.