Passada a data de 7 de Setembro, é possível olhar em retrospectiva um pouco da visão portuguesa para o nosso grito do Ipiranga. Ao longo dos séculos, vimos a figura simbólica de D. Pedro como libertador, aquele que rompe com a subordinação do Brasil com Portugal. Agora a ex-colônia portuguesa toma para si o controle de suas ações e decisões. O fato é que passados esses dois séculos, ainda pouco conhecemos de Portugal e por que não dizer que os portugueses também pouco conhecem do nosso Brasil.
Há quatro anos, vivo em Portugal e ainda hoje tenho dificuldades de identificar bem geograficamente esse pequeno país. Imaginem os portugueses para identificarem o nosso imenso Brasil. Todas as vezes que me perguntam de onde venho do Brasil, preciso recorrer à proximidade do Rio de Janeiro para que as pessoas tenham um mínimo de noção de onde fica o Espírito Santo.
Além da língua portuguesa que nos une, embora o vocabulário e a fonética sejam bem diferentes, também os movimentos migratórios nos uniram. Primeiro, as várias gerações de portugueses que escolheram o Brasil para viver ao longo de décadas anteriores e, mais recentemente, os brasileiros que escolheram Portugal para viver.
É curioso perceber que os portugueses nutrem um interesse maior pelo Brasil do que os brasileiros pelos assuntos portugueses. Um exemplo claro disso são os noticiários portugueses recheados de informações da política e do futebol brasileiros. Lula e Bolsonaro ocupam o noticiário local com muita frequência. A ida de técnicos de futebol portugueses para dirigir times brasileiros, fez com que os canais abertos de televisão passassem a transmitir ao vivo jogos de times brasileiros. A recíproca não é verdadeira, poucos no Brasil sabem quem é o presidente da república portuguesa e os nomes dos jogadores de futebol dos times da terrinha.
A exemplo do Brasil, Portugal é um país acolhedor. Recebe ao longo do tempo estrangeiros do mundo todo, em especial cidadãos de países de língua portuguesa: brasileiros, angolanos e moçambicanos. Mais recentemente, por conta da guerra da Rússia e Ucrânia, Portugal recebeu um grande contingente de refugiados ucranianos. Essa migração, de alguma forma, se integra aos costumes portugueses. Entretanto, esses novos hábitos também geram preconceitos. Que crescem silenciosamente na disputa do espaço profissional e na academia. Mas isso é assunto para outra coluna.