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Não é porque pesquiso passagem aérea no Google que quero alugar um carro

Os banners, além de seguirem o usuário como assombrações, levam muito tempo para entender que você não deseja aquele produto. Com muita frequência a saturação leva ao efeito contrário

Públicado em 

06 mai 2022 às 02:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

teclado de computador
Também está em curso a publicidade personalizada. Mais assertiva Crédito: Pinterest
Não é de hoje que a propaganda e a publicidade são utilizadas em larga escala como solução para vários problemas da sociedade. É incrível que funcione como solução para muitos e ao mesmo tempo ser acusada como prejudicial para outros. Prefiro acreditar que não é nem uma coisa nem outra. A propaganda é sem sombra de dúvida uma ferramenta mercadológica poderosa para construção das marcas e ela atua como diferencial para nos dar a opção de escolha.
Isso vem de longa data mesmo. Na Grécia antiga, os arautos anunciavam as mercadorias à venda. Na Europa medieval, a propaganda oral apareceu nas feiras e mercados. Tabuletas de varejistas eram comuns também na Europa na Idade Média. Mais tarde, com o surgimento da impressão em papel, anúncios se propagavam com desenhos e ilustrações. Nas carruagens já se observavam painéis com anúncios aplicados em seu exterior. Sem falar no surgimento dos jornais, rádios e televisões mundo afora. Entretanto, a publicidade como conhecemos hoje é bem mais recente, mesmo com toda a revolução digital, ela ainda guarda o mesmo traço original: chamar atenção, persuadir e levar ao consumo.
Novas ferramentas tecnológicas usadas na comunicação passam necessariamente pela publicidade: realidade aumentada, inteligência artificial, big data e até o metaverso. Com a tecnologia 5G ainda temos muitas novidades pela frente. Mesmo com todo crescimento do investimento publicitário nos canais digitais no Brasil e no mundo, a televisão continua mostrando a sua força, embora o modelo brasileiro de TV aberta não tenha mais a mesma concepção em muitos países.
Crescem as plataformas digitais. Até mesmo a Netflix declarou que começará a utilizar a publicidade na sua plataforma. Isso não acontece por acaso. Com a perda de assinantes, por que não compensar estas e as futuras perdas com a publicidade? Na verdade, ela só está seguindo os passos da Disney, HBO, Amazon, entre outras.
Também está em curso a publicidade personalizada. Mais assertiva. Mais dirigida ao seu target. É preciso aprender com os erros da segmentação ocorrida na internet. Não é porque pesquiso passagem área no Google que necessariamente quero alugar um carro. Uma coisa pode levar a outra, mas de uma forma estudada, melhor planejada e personalizada. Os algoritmos permitem que anúncios sejam segmentados de acordo com as características dos diversos públicos, como a idade, interesses, local onde vivem e outros.
Entretanto, os banners, além de seguirem o usuário como assombrações, levam muito tempo para entender que você não deseja aquele produto. Com muita frequência a saturação leva ao efeito contrário. Na TV digital é preciso maximizar o alcance do anúncio. É o que promete a TV 3.0, um novo padrão de transmissão que deve chegar ao Brasil em 2024. Sabendo usar a publicidade, ela pode até não ser a cura para todos os males, mas poderá contribuir de forma decisiva para a democratização da comunicação.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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