No próximo dia 2 de abril o PSD (Partido Social Democrata), coligado com mais dois partidos, volta a comandar o governo português com uma maioria simples no parlamento de 80 deputados, tendo à frente como primeiro-ministro Luís Montenegro. Após oito anos, o partido de centro-direita foi o vencedor das últimas eleições realizadas agora em março.
Foi uma vitória apertada sobre seu rival OS - Partido Socialista, por apenas dois deputados. Sem dúvida nenhuma, o maior derrotado nas últimas eleições. Por outro lado, o principal vitorioso dessas eleições portuguesas foi o Chega, partido de extrema-direita que saiu de 12 deputados para 50 deputados, um crescimento espantoso, num espaço de apenas dois anos.
Entretanto, a governabilidade atual do país corre um sério risco. De um lado, o primeiro-ministro Luís Montenegro diz que “não é não”. Ou seja, não governará contando com o apoio do Chega. Pelo sistema político português, o partido que governa sem maioria formalizada precisará de apoio em outubro deste ano para aprovar o orçamento do Estado. Fato que, se não ocorrer, poderá provocar a dissolução do parlamento novamente, o que poderá levar o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a convocar novas eleições para 2025.
Então, o que move esse cenário político português? No fundo, duas grandes dúvidas pairam no ar: a primeira, terá o PSD força para promover as promessas de campanha com uma maioria simples? E a segunda, se em algum momento para garantir a governabilidade o PSD não lançará mão do apoio ou mesmo da abstenção do Chega, para romper a aprovação do orçamento do estado?
Isso posto, quais lições podemos tirar: de que quem venceu as eleições, o PSD, desta vez governará sem maioria. Entretanto, é importante lembrar que exatamente há oito anos o PSD venceu as eleições, mas não levou, pois a esquerda, mesmo perdendo, conseguiu formar um governo de coalizão de maioria.
Quem perdeu as eleições foi o PS, que agora passará para oposição e poderá vir a ser o fiel da balança para o PSD. Por outro lado, é importante ressaltar que o PS venceu as eleições de 2022 como maioria absoluta e não conseguiu governar pelos seus próprios erros. Por fim, o Chega surge, definitivamente, como a terceira força do parlamento e nas próximas eleições disputará a liderança de governo.