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Operação da PF

Pau-Brasil vendido ilegalmente: enquanto houver comprador, haverá crime

No dia em que o mercado externo recusar a madeira extraída ilegalmente, os traficantes de madeira brasileira precisarão buscar outro ramo de atividades

Públicado em 

01 jan 2022 às 02:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

Arcos de violino feitos da madeira de pau-brasil extraída ilegalmente no ES e que era exportada também de forma irregular
Arcos de violino feitos da madeira de pau-brasil extraída ilegalmente no ES e que era exportada também de forma irregular Crédito: PF/ES
No dia 30 de novembro, a Polícia Federal no Espírito Santo deflagrou a Operação Ibirapitanga, desbaratando uma organização criminosa especializada em extrair e comercializar Pau-Brasil ilegalmente. A madeira retirada de forma clandestina de áreas de preservação ambiental era utilizada para a fabricação de arcos de violino que eram vendidos no exterior (sobretudo, Estados Unidos e Europa) por até R$ 14 mil.
A investigação, pelo simples fato de buscar interromper o desmatamento e a extração de madeira ameaçada de extinção, tem especial valor. Outros aspectos, no entanto, deixam o trabalho investigativo ainda mais relevante para nosso Estado e nosso país.
Em primeiro lugar, os números que envolvem o trabalho são extremamente reveladores. Foram 20 mandados de busca e apreensão cumpridos em quatro municípios capixabas. Além dos equipamentos e documentos que foram apreendidos e estão sendo analisados no bojo das investigações, mais de R$ 71 milhões em madeira também foram apreendidos.
Partindo-se do pressuposto de que as organizações criminosas visam primariamente o lucro, o resultado dos trabalhos foi fantástico. Não importa o ramo da atividade ilícita, a descapitalização das organizações criminosas é, sem dúvida alguma, a forma mais eficaz de colocar um ponto final na atuação da bandidagem.
É assim no tráfico de drogas, no tráfico de armas e, também, no tráfico de madeira. O resultado da Operação Ibirapitanga representa, portanto, um duro golpe nesse ramo de atividade ilegal que, segundo estimativas, já proporcionou mais de R$ 230 milhões de lucro aos criminosos.

MÉTODO CIENTÍFICO

Outro detalhe que diferencia o trabalho realizado foi uma das técnicas utilizadas na produção da prova. Conhecida no meio científico como análise de isótopos estáveis, o método recém adotado pela Polícia Federal foi aplicado na Operação Ibirapitanga. Para isso, peritos lotados em Manaus/AM e com larga experiência no assunto vieram ao Espírito Santo para coletar amostras e realizar análises.
Apelidada “DNA da madeira” a técnica revela com incrível exatidão o local onde o Pau-Brasil foi extraído, robustecendo a prova e apontando se a madeira foi retrabalhos recebemos uma equipe da FWS (Fish and Wildlife Service), a polícia ambiental dos Estados tirada de local de preservação ambiental.
Por último, destacamos a importância da cooperação internacional. Para acompanhar os trabalhos recebemos uma equipe da FWS (Fish and Wildlife Service), a polícia ambiental dos Estados Unidos. A equipe veio diretamente de Washington D.C. e, ao mesmo tempo em que acompanhou a atuação da PF no Espírito Santo, orientou seu time nos EUA a realizar apreensões de madeira oriunda do nosso Estado. As apreensões realizadas em Miami e Orlando ultrapassaram os 500 (quinhentos) arcos de violino.
Mais uma vez somos forçados a reafirmar a importância do trabalho de cooperação. O crime não respeita fronteiras e seu combate eficaz depende de cooperação (seja internamente, seja entre países). Em se tratando de crimes ambientais, a importância da cooperação internacional se torna ainda mais evidente. É fundamental que as agências de repressão estejam atentas e atuando na mesma sintonia, a fim de combater esses ilícitos.
Também é imprescindível que a comunidade internacional, notadamente nos EUA e Europa, conscientize-se da importância de se ter informações fidedignas sobre a legalidade da origem da madeira importada. No dia em que o mercado externo recusar a madeira extraída ilegalmente, os traficantes de madeira brasileira precisarão buscar outro ramo de atividades. Nesse dia nossas florestas estarão mais seguras.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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