O Relatório Mundial sobre Drogas publicado pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes) em 2021 aponta que cerca de 275 milhões de pessoas usaram drogas no último ano. Desse montante, mais de 36 milhões sofreram de algum transtorno associado justamente ao uso de drogas.
Um dado é especialmente relevante na publicação e mereceu destaque por parte da diretora executiva do UNODC, Ghada Waly. Para ela, "a menor percepção dos riscos do uso de drogas tem sido associada a maiores taxas de consumo de drogas. As descobertas do Relatório Mundial sobre Drogas 2021 do UNODC destacam a necessidade de fechar a lacuna entre percepção e realidade para educar os jovens e salvaguardar a saúde pública".
Pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o IBGE, o Instituto do Câncer (INCA) e a Universidade de Princeton, nos EUA, também traz dados importantes sobre o tema. A droga ilícita mais consumida no Brasil é a maconha: 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já a usaram. Em segundo lugar, fica a cocaína em pó: 3,1% já fizeram uso do entorpecente. O trabalho, considerado um dos mais completos sobre drogas já realizado no Brasil, foi publicado em 2017 e aponta como uma de suas conclusões que “os jovens brasileiros estão consumindo drogas com mais potencial de provocar danos e riscos, como o próprio crack. Além disso, há uma tendência ao poliúso (uso simultâneo de drogas diferentes)”.
O tema tem gerado intensa discussão em vários países do mundo. No Brasil não é diferente! Muito se fala sobre a questão da ilegalidade das drogas, bem como de seus impactos na segurança e na saúde (duas das mais delicadas áreas da gestão pública). Um aspecto, no entanto, tem sido unânime mesmo nos mais acalorados debates. É fundamental que tenhamos informações e dados aptos a embasar as políticas públicas. Também é imprescindível que a sociedade, em especial os jovens, tenham informações que lhes permitam conhecer e bem avaliar os malefícios e riscos causados pelas drogas.
Diante desse cenário, a Polícia Federal publicou, em maio de 2020, uma Portaria que regulamenta a atuação dos chamados GPREDs (Grupos de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas). Dentre as várias atribuições dos policiais que atuam nos grupos, está a nobre função de executar atividades relacionadas a palestras e a eventos de prevenção ao uso indevido de drogas.
Aqui no Espírito Santo temos dado especial atenção aos trabalhos desenvolvidos pelo GPRED. Semanalmente, temos recebido diversas turmas de estudantes, de diversas escolas públicas e privadas. Os estudantes têm oportunidade de conhecer as atividades da Polícia Federal, assistir a vídeos institucionais, conhecer um pouco da nossa estrutura física (incluindo nossas viaturas), ver apresentações de nossa cadela de faro e, o principal, assistir a palestras sobre os efeitos e riscos do uso de drogas.
De setembro até a presente data mais de 2 mil estudantes já visitaram nossas instalações e receberam os ensinamentos de nosso GPRED. Já recebemos, por exemplo, a visita de escolas de Terra Vermelha, em Vila Velha, e Nova Rosa da Penha e Jardim América, em Cariacica. Os feedbacks das escolas e dos profissionais de educação que acompanham os estudantes têm sido os melhores possíveis e nossa maior fonte de motivação! Saber que esse pequeno esforço pode contribuir para bem informar nossos jovens não tem preço.
Nossa meta é ambiciosa e sonhadora: evitar que o maior número possível de crianças e jovens optem pelo caminho das drogas. Se em cada turma que recebermos uma única criança utilizar as informações que recebeu da PF para tomar uma decisão que a afaste das drogas, todo o trabalho já terá valido a pena. Seguiremos firmes em nossa missão! Não nos descuidaremos nem um segundo sequer da repressão ao tráfico de drogas. Por outro lado, continuaremos envidando todos os esforços possíveis no gratificante caminho da prevenção.