Na última segunda-feira, dia 27/03, um estudante do 8º ano de uma escola estadual da zona oeste de São Paulo atacou, com uma faca, professoras e alunos. Uma professora de 71 anos morreu e outras três foram feridas com golpes de faca. Além disso, um estudante também foi esfaqueado e um segundo precisou ser socorrido em razão de uma crise de pânico provocada pelo bárbaro ataque. A ação foi filmada pelas câmeras de segurança da sala de aula e, efetivamente, tem potencial de deixar qualquer um em pânico. As cenas são no mínimo horrorosas e assustadoras.
O telefone celular do agressor foi apreendido e, numa primeira análise, já foram encontradas informações sobre ataques em outras escolas, indicando que toda a ação foi planejada e que, possivelmente, foi inspirada em chacinas semelhantes.
No dia 25 de novembro de 2022, um estudante de 16 anos também promoveu um massacre em duas escolas no município de Aracruz. Utilizando armas de fogo, o agressor matou três professoras e uma estudante de apenas 12 anos de idade. Outras 12 pessoas ficaram feridas, algumas com sequelas até os dias de hoje.
Durante as investigações, a polícia encontrou nos pertences do agressor informações que chamam a atenção e que parecem seguir o padrão do ataque desta semana, em São Paulo. Ao que tudo indica, o assassino de Aracruz tinha grande admiração por criminosos que, no passado, também executaram homicídios em escola.
Arquivos digitais contendo informações sobre o ataque à escola de Columbine (1999)*, nos Estados Unidos, e sobre o massacre da escola de Suzano/SP (2019)** foram encontrados entre as coisas do responsável pela chacina.
Dois pontos merecem destaque acerca desses últimos eventos criminosos em escolas. Em ambos os casos (e em tantos outros) percebemos o chamado efeito copycat (nome dado pelo escritor americano Loren L. Coleman ao fenômeno que faz com que um criminoso imite crimes já praticados anteriormente) ou imitador. Em São Paulo e em Aracruz, os agressores se inspiraram em ataques praticados anteriormente, conforme apontam os indícios e provas obtidos nas investigações.
Outro ponto que chama a atenção é que ambos os agressores acessaram as informações dos ataques anteriores na internet, por meio de sites e redes sociais, as quais têm sido utilizadas por indivíduos que têm grande fixação por esse tipo de crime. Não raras vezes as polícias têm encontrado chats onde chacinas pretéritas e futuras são mencionadas ou descritas com grande admiração por parte dos participantes desses fóruns.
Nada indica que o fenômeno copycat vai deixar de existir, de modo que quanto mais ataques acontecerem, maior a probabilidade de que novas chacinas em escolas sejam praticadas. Isso, por si só, já aumenta em muito o desafio que precisamos (todos nós) enfrentar.
Ademais, o monitoramento eficiente da internet e redes sociais é tarefa hercúlea, que demanda muito investimento. O enfrentamento desse fenômeno passa necessariamente pela inteligência e por tecnologia de ponta, capaz de gerar alertas cada vez que haja a menor ameaça. De parte da segurança pública, precisamos estar equipados e capacitados para detectar e evitar a ação de potenciais agressores.
O desafio, portanto, é gigantesco e ultrapassa as raias da segurança pública. Toda a sociedade, em especial as famílias e as escolas, precisa se conscientizar do atual cenário. Não podemos, em hipótese alguma, nos acostumar a ver chacinas em colégios (como parece já ter acontecido nos EUA). A escola deve ser um ambiente de igualdade, aprendizado, amizade, companheirismo e compreensão, jamais de violência.
*No ataque de Columbine, um dos mais sangrentos dos Estados Unidos, dois estudantes mataram 12 alunos e 1 professor e feriram outras 21 pessoas na escola Columbine High School, no dia 20/04/1999.
**No massacre de SuzanoSP, dois ex-alunos mataram 5 estudantes e 2 funcionárias da Escola Estadual Professor Raul Brasil, no dia 13/03/2019.