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Subvariantes

Vivemos em um mar de vírus esperando a nova onda

Sem medidas preventivas efetivas, como a utilização de máscaras filtrantes e vacinação com todas as doses recomendadas, vamos novamente enfrentando mais uma onda da Covid-19 no Brasil

Publicado em 08 de Dezembro de 2022 às 00:05

Públicado em 

08 dez 2022 às 00:05
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

Em 26 de novembro de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o surgimento de uma nova variante de preocupação do Sars-Cov-2, batizada de Ômicron. Em questão de dias, ela dominou o mundo, causando um aumento recorde de casos. Rapidamente sendo transmitida e com uma velocidade ainda maior de fazer mudanças evolutivas. A variante foi se diferenciando em subvariantes e um combo de letras e números começou a dominar nosso cotidiano.
Agora não estamos mais na onda da Alfa, da Beta, da Gama, da Delta ou da Ômicron. Passamos também a falar e conhecer novas ondas da Ômicron, causadas agora por suas subvariantes: BA.1, BA.4, BA.5 e, mais recentemente, a BQ.1, como falei na minha última coluna.
Essas mudanças que a variante conseguiu fazer permitiram que o vírus entrasse nas células com mais sucesso. Outras mudanças conseguiram driblar anticorpos de vacinas ou infecções anteriores fazendo com que a mesma pessoa pudesse se reinfectar com a variante Ômicron múltiplas vezes com subvariantes diferentes.
A Ômicron traz uma preocupação adicional, pois no nosso sistema de defesa os anticorpos aderem as proteínas spike na superfície dos coronavírus, impedindo-os de entrar em nossas células. No entanto, algumas das mutações mudaram partes dessa proteína, o que fez com que nossos anticorpos não pudessem mais se aderir a ela. Sem conseguir aderir ao vírus e impedir sua entrada na célula, ficou mais fácil para as subvariantes nos infectar.
Os autotestes para detecção da Covid-19 começaram a ser vendidos em março deste ano no Brasil
Os autotestes para detecção da Covid-19 começaram a ser vendidos em março deste ano no Brasil Crédito: Shutterstock
No mundo dominado por ondas pandêmicas desde 2020, a metáfora do mar me pareceu adequada. Estamos em um mar de vírus, onde ondas nos atingem com mais rapidez do que esperávamos. Sem medidas preventivas efetivas, como a utilização de máscaras filtrantes e vacinação com todas as doses recomendadas, vamos novamente enfrentando mais uma onda da Covid-19 no Brasil, seguindo sem uma coordenação do Ministério da Saúde.
Um ano depois de me infectar na primeira onda da Ômicron, fui novamente infectada apesar dos cuidados. Isso demonstra que medidas de saúde pública devem ser coletivas, principalmente quando estamos diante de uma pandemia que ainda persiste.
Sem medidas de controle de qualidade de ar, como a colocação de filtros HEPA; sem que pessoas com síndrome gripal utilizem corretamente a máscara e estejam vacinadas com as doses necessárias para diminuir a transmissão, ações individuais ficam muito limitadas.
Aliado a isso, sem uma comunicação de risco temos a falsa ideia de que a doença já não importa mais, no entanto, ao observamos o painel do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), a média móvel de óbitos nos últimos 7 dias se aproxima de 100, ou seja, não é normal ou devemos evitar normalizar quase 100 mortes por dia de uma doença agora evitável por vacina e que tem tratamento para os mais vulneráveis.
Discutir esses pontos ainda se faz necessário, pois estamos diante de aumento de internação de Covid em pessoas mais idosas ou imunossuprimidas e é nosso dever seguir protegendo nossa comunidade. É dever urgente do Ministério da Saúde garantir acesso facilitado ao tratamento com antivirais e instituir uma campanha de educação em saúde que vise o uso e distribuição de máscaras filtrantes em locais fechados e a vacinação com a doses necessárias para os que ainda não completaram o esquema de 3 doses de vacina.
Além disso, deve entrar na pauta a vacinação de idosos com uma nova dose de vacina. Nos aproximamos das festas de fim de ano, momento em que as pessoas estão celebrando a união entre as famílias, para que esse momento permaneça sendo de alegria e felicidade precisamos proteger os mais vulneráveis, principalmente aqueles com 70 anos ou mais. Seria fundamental iniciarmos uma nova dose de vacina para esse grupo para a restituição da resposta imunológica de defesa e garantirmos que essas festas de fim de ano sejam motivo de júbilo e não de desolação.
Temos vacinas para garantir essa proteção extra, o momento é agora de proteger os grupos mais vulneráveis. A pandemia continua. Devemos seguir fazendo nossa parte e nossas autoridades sanitárias fazendo a parte delas.

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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