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Nova ordem

Era Trump: não há mais lugar seguro no mundo

O Brasil não está livre de riscos. Não sabemos a velocidade com que chegaremos a ser atingidos, mas o perigo existe e ninguém está a salvo de ser incluído no cronograma destruidor do presidente Trump

Publicado em 03 de Março de 2026 às 04:00

Públicado em 

03 mar 2026 às 04:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

No estilo Trump de governar, a diplomacia é ferramenta dos fracos e não pode ser utilizada pelo presidente do país mais poderoso e rico do mundo, que prefere se impor pelo terror e pela intimidação.
Negociar não faz parte das estratégias políticas do atual presidente dos Estados Unidos. Para ele, todo o sofisticado corpo de estratégias negociais forjadas sob o manto das trativas de paz estabelecidas no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), pós-Segunda Guerra Mundial, deve ser ignorado.
Os objetivos da ONU, para ele, assim como todos os demais objetivos fixados em tratados internacionais que buscam a manutenção da paz, da segurança internacional e da garantia dos Direitos Humanos, como caminhos possíveis para a garantia de um mundo que nos deixe como legado um futuro possível em um planeta sustentável e livre de crises, são meras cartas de intenções desprovidas de condições de aplicabilidade e efetividade.
U.S. President Donald Trump attends a press conference
U.S. President Donald Trump attends a press conference Crédito: Jessica Koscielniak/Reuters
Para Trump, o poder se consubstancia na demonstração de força, de ódio e de espetacularização da violência sem limites, que constrange, que humilha, que faz recuar e que faz ceder.
Primeiro a força e a violência, depois a falsa negociação cooperativa, capaz de manter os EUA no comando político e econômico do mundo.
Na perspectiva trumpista, a soberania é uma utopia somente realizável aos Estados Unidos da América; o multilateralismo, uma ficção literária, sem qualquer condição de ser efetivada; o Direito Internacional, uma ficção jurídica de frágil sustentação doutrinária e consubstanciação política.
Bombardear o Irã, invadir a Venezuela e sequestrar seu presidenteameaçar a Groenlândia, assumir discursivamente a propriedade do Golfo do México, mudando o nome e impondo outro que afirme sua condição de proprietário legítimo, como tantas outras ameaças, não são bravatas de um lunático irracional que quer dominar o mundo.
São ameaças reais, com potencial de cumprimento, e ele assim o demonstra avançando em sua fúria dominadora e definidora dos novos contornos e compreensão do que seja um país soberano.
Se tiver riquezas, petróleo, terras raras, e qualquer outro sinal, ainda que tênue, de que haverá resistência ao poder norte-americano, de acordo com o jeito Trump de governar, o país estará ameaçado. Não há lugar seguro no mundo onde se possa viver em paz longe dos olhos gananciosos e perversos do presidente dos EUA.
O Brasil não está livre de riscos. Não sabemos a velocidade com que chegaremos a ser atingidos, mas o perigo existe e ninguém está a salvo de ser incluído no cronograma destruidor do presidente Trump.
Nosso projeto de paz, de segurança jurídica e de estabilidade está ameaçado pelo projeto de poder de Donald Trump, o homem mais poderoso do mundo, que se acredita o único Deus com direito divino de dominar a Terra.
O projeto de Trump não é a guerra e nem é a paz. Ele deseja, somente e simplesmente, ser o homem mais poderoso do planeta e que nada nem ninguém se interponha em seu caminho.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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