O Conselho Federal de Medicina (CFM) é, sem sombra de dúvidas, uma das mais importantes instituições de nosso país.
Juntamente com o Conselho Federal de Enfermagem, aglutina o maior contigente de profissionais do setor saúde no Brasil e no mundo. Os médicos e os enfermeiros representam mais de 80% desses profissionais, o que permite concluir que sem médicos(as) e sem enfermeiros(as) não há saúde possível dentro da complexidade na qual vivemos e em que o mundo se organizou.
A dependência e a submissão radical à ciência sempre caracterizou e sempre deverá caracterizar a atuação médica, não podendo haver fragilização desse vínculo, sob pena de desconstituição do ethos profissional do médico.
Desvios de conduta são naturais e inerentes à constituição de grupamentos humanos, de natureza social, familiar ou profissional. Os conselhos, assim como a ordens, têm um múnus público e uma responsabilidade que não podem ser fragilizados por eventuais interesses privados de grupos específicos que decidem pautar suas condutas em outros pressupostos que não aqueles que fundamentaram sua concepção original.
Criado em 1951, o CFM trouxe à categoria médica, e a toda a sociedade, algo indispensável a um exercício da profissão sustentado em valores éticos, científicos e jurídicos compatíveis com a dignidade profissional e a de todos aqueles que dependem desses profissionais para garantirem acesso a um atendimento de saúde de qualidade e comprometido com a dignidade da pessoa humana em todos os estágios de seu ciclo vital.
Os médicos estão espalhadas por todo o território nacional, cumprindo o relevante papel de contribuir para que tenhamos saúde compatível com o estágio de desenvolvimento científico que alcançamos.
A medicina, profissão milenar que tem em Hipócrates seu mais destacado personagem histórico, caracterizou-se, sempre, mesmo antes do nascimento da ciência moderna, por seu profundo comprometimento com os pressupostos científicos de um saber construído e sustentado em bases sólidas respeitadas e validadas pela comunidade científica, em todos os estágios do desenvolvimento pelos quais a humanidade caminhou.
O respeito ao médico sempre esteve fundamentado na ética profissional e no saber baseado em ciência de alta complexidade. O comprometimento com as evidências científicas faz parte intrínseca da natureza da profissão e o CFM sempre foi seu guardião maior.
Distanciar-se da ética e da ciência pode fazer naufragar o mais belo projeto de fiscalização e regulamentação da profissão médica no país.
A ciência e a ética devem prevalecer sempre independentemente das opções políticas e ideológicas.