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Meio ambiente

As cidades e o clima: qual a responsabilidade dos novos prefeitos?

Em uma canoa que vai contra a maré, não importam as diferenças entre remadores, e sim que todos remem na mesma cadência. A capacidade de fazer isso determinará o nosso futuro

Publicado em 31 de Outubro de 2024 às 02:00

Públicado em 

31 out 2024 às 02:00
Carlos Roxo

Colunista

Carlos Roxo

As recentes eleições municipais escolheram os prefeitos e vereadores de 5.569 cidades, das quais 78 no Espírito Santo. Embora a discussão das mudanças climáticas tenha sido rara nas campanhas, os eleitos precisarão tratá-las durante os mandatos, para atenuar seus impactos e reduzir os riscos.
A responsabilidade em nível global pela definição e atingimento das metas de redução dos Gases de Efeito Estufa (GEE) de cada país é dos governos nacionais. Mas os governos municipais, como os estaduais, têm um papel importante a cumprir.
No mundo, as cidades são não apenas responsáveis por 70% das emissões globais dos GEE, como as mais vulneráveis aos seus efeitos, como os exemplos do Rio Grande do Sul, São Paulo e aqui mesmo em Mimoso do Sul mostraram.
Um mês após enchente que devastou Mimoso do Sul, rastro de destruição ainda é visto pelas ruas da cidade
Um mês após enchente que devastou Mimoso do Sul, rastro de destruição ainda era vista pelas ruas da cidade Crédito: Fernando Madeira
O Censo de 2022 indicou que 81,3% da população brasileira vive em cidades, índice que no Espírito Santo chega a quase 90%. Essa população precisa ser protegida contra os riscos de eventos cada vez mais intensos e frequentes.
Na Eco-92, realizada no Rio, foi criado o slogan “pensar globalmente e agir localmente”, que indica o caminho. Embora as administrações municipais tenham poder apenas marginal para reduzir as emissões globais dos GEE, podem fazer bastante para atenuar os impactos locais.
Os riscos podem ser muitos, como ondas de calor, ventos, chuvas torrenciais, enchentes, desabamentos de encostas, secas prolongadas impactando o abastecimento de água ou a economia, impactos na infraestrutura, incêndios e doenças agravadas pelo calor (como enfartes, AVCs e doenças contagiosas). As cidades costeiras podem ainda enfrentar o risco do alagamento de vastas áreas.
Como as cidades serão impactadas de maneiras diferentes, cada administração municipal deve identificar os riscos do seu território, consultando os órgãos federais, estaduais e cientistas, assim como escutando a população, pois, como destaca o economista Sergio Besserman, o mais provável é que venha a ocorrer o aumento da intensidade e frequência de eventos que já são percebidos, sem descartar o possível surgimento de novos.
O mapeamento dos principais riscos é a base dos planos de adaptação destinados a reduzi-los. Foi o que fez Paris após a onda de calor de 2003 que provocou 15 mil mortes na França. Dentro do conceito de Justiça Climática, os planos devem dar atenção especial aos mais vulneráveis, que podem ser por exemplo os idosos nas ondas de calor, ou os residentes em áreas de risco no caso de desabamentos e enchentes. A existência prévia e implementação desses planos não elimina, mas reduz significativamente os impactos.
Priorizar os planos de adaptação não significa abdicar dos esforços de mitigação das emissões dos GEE. Cerca de 80% das emissões urbanas estão relacionadas ao transporte, e o restante às edificações e infraestrutura. Existe um cardápio de soluções para reduzi-las, como transporte público eficaz, infraestrutura para bicicletas, estações de carregamento de veículos elétricos, incentivo às fontes de energia renovável, ampliação da reciclagem e compostagem de resíduos orgânicos, assim como criação e preservação de parques e áreas verdes, que reduzem a temperatura das áreas arborizadas entre 3 e 6 graus.
Os recursos e realidades estabelecidas demandam que cada cidade priorize suas medidas para adaptação e mitigação, e as considere nos planos urbanísticos.
Os desastres recentes em cidades foram sirenes de uma sociedade de risco cujo colapso mostrou ser possível. Para sair desse gueto, é preciso um trabalho conjunto, coordenado pelo governo federal, que dá os direcionadores e mobiliza os recursos; dos governos estaduais, como o do ES, que criou um Programa de Mudanças Climáticas; dos governos municipais que desenvolvem os Planos de Mitigação e Adaptação de cada cidade; e da sociedade civil que ajuda a implementar.
Em uma canoa que vai contra a maré, não importam as diferenças entre remadores, e sim que todos remem na mesma cadência. A capacidade de fazer isso determinará o nosso futuro.

Carlos Roxo

Engenheiro ambiental, sócio da Maker Sustentabilidade e membro do Grupo Executivo da Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura

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