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Sexualidade

Educação é poder

A palavra “educar” significa dar ensino, oferecer a alguém todos os cuidados necessários para o pleno desenvolvimento. Então por que a educação sexual é tão confrontada?

Publicado em 29 de Agosto de 2020 às 08:00

Públicado em 

29 ago 2020 às 08:00
Carlos Boechat

Colunista

Carlos Boechat

Criança brincando com bonecas
Educação sexual é essencial. Crédito: Jelleke Vanooteghem/Unsplash
A sexualidade pode ser compreendida como um processo desenvolvido ao longo da vida, influenciado por nossas experiências, histórias, relações e construções sociais. Sexo, palavra ainda vista por muitos como proibida, faz parte do ciclo vital do ser humano e de suas necessidades básicas. Nós adultos, pais e/ou responsáveis temos que levar em conta que as crianças e adolescentes precisam de algo que hoje é encontrado de forma fácil, rápida e singela: informação.
A palavra “educar” significa dar ensino, oferecer a alguém todos os cuidados necessários para o pleno desenvolvimento. Então por que a educação sexual é tão confrontada? Por que é alvo de tanta represália? Não seria parte da nossa responsabilidade social para com o outro? Ao contrário do que muitos acreditam, dar orientação, educar e conversar com nossas crianças e adolescentes não é introduzi-los na vida sexual, mas sim um ato de cuidado e proteção.
Partindo desse ponto, a educação sexual existe para que esses jovens possam entender sobre seus corpos, sobre as mudanças que neles ocorrem e para saber lidar com elas da melhor forma. É sobre entender como é um processo gestacional, os métodos contraceptivos e por que são necessários, sobre as diferentes formas de ser e de amar. A educação sexual vai muito além de um “kit”.
Seguindo essa visão, a educação sexual se faz necessária para ajudar meninas a se tornarem mulheres que conheçam seus corpos, entendam sobre seus prazeres diversos e consigam notar e compreender violência, relacionamentos abusivos e como se colocar frente a episódios como esses para se ajudarem e a outrem.
Ela ajuda meninos a se formarem homens que entendem que do outro lado há alguém que também é importante e também tem desejos, auxiliando essas crianças e jovens a compreender esse outro e respeitá-lo. Ajuda a não termos mais crianças de 10 anos sofrendo com violências sexuais recorrentes.
Em vista disso, trarei alguns números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Ministério da Saúde: mais de 20 mil meninas com menos de 15 anos ficam grávidas por ano; mais da metade das vítimas de violência sexual no Brasil têm até 13 anos, sendo 96% dos agressores do sexo masculino; a cada oito minutos, um crime de estupro é cometido em nosso país. E para que trazer esses dados? Temos que dar a devida importância a esses números, entender que educar é preciso. Orientar essas crianças e adolescentes, independentemente de classe social e condição econômica, é de extrema necessidade e urgência.
A educação sexual não é o monstro que colocará o sexo na vida do seu filho, mas é o que entende que um dia esse processo maturacional irá acontecer e que por isso deva ser orientada, para que a criança tenha um desenvolvimento pleno e saudável. Educação é poder. Poder de escolha, de conhecimento e para ser livre.

Carlos Boechat

É psicólogo formado em Brasília, sexólogo e terapeuta de casais. É educador de sexualidade em escolas da rede pública e privada e pai da Stephenie

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