Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Informação de qualidade

O faro jornalístico mudou diante de um mundo cada vez mais digital

A audiência está no centro do processo. Já não basta que definamos nós o que precisam os consumidores de informação. É preciso ouvir o que eles têm a dizer. Interagir com eles. Captar suas sugestões. Aceitar suas críticas

Publicado em 04 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 mai 2020 às 05:00
Carlos Alberto Di Franco

Colunista

Carlos Alberto Di Franco

Análise de dados: é preciso entender, interagir e ouvir a audiência
Análise de dados: é preciso entender, interagir e ouvir a audiência Crédito: Divulgação
Sentir o cheiro da notícia. Persegui-la. Buscar novas fontes e encaixar as peças de um enorme quebra-cabeça para apresentá-lo o mais completo possível. Dentre as competências necessárias para exercer um bom jornalismo, algumas parecem ser inatas e, por mais que se tente aprender, inútil será o esforço.
É assim o tal “faro jornalístico”. Uma capacidade quase inexplicável que alguns profissionais possuem de descobrir histórias inéditas, de furar a concorrência e manter pulsando a certeza de que é possível produzir conteúdo de qualidade que sirva ao interesse público.
Nunca se pôs em xeque o papel essencial do instinto jornalístico. Nem eu o pretendo fazê-lo agora. Como já venho reiterando há tempos neste espaço, apenas essa vibração será capaz de devolver a alma que, por vezes, percebo faltar ao trabalho das redações. O que quero é acrescentar um aspecto que julgo importante nesta discussão: na era digital, a intuição pode e deve ser apoiada pelos números.
Realidades que pareciam alheias aos negócios da mídia estão cada vez mais próximas dos veículos. É o caso do Big Data. A cada dia os acessos digitais aos portais de notícias geram quantidades incríveis de dados sobre o comportamento de nossas audiências, mas ainda não fomos capazes de enxergar o potencial que há por trás desta montanha de informação desestruturada.
Ao fim de um dia de trabalho, qualquer editor está habilitado a responder quais foram as reportagens mais lidas. Mas e depois disso? Continuamos incapazes de interpretar adequadamente todas essas cifras e utilizá-las em nosso favor.
Converso, frequentemente, com executivos e gestores de veículos de comunicação, todos eles responsáveis pelo processo de transição digital em suas empresas. Todos, sem exceção, estão desejosos de encontrar novos caminhos de monetização. Cresce a certeza de que as verbas publicitárias não retornarão aos níveis de antigamente e, portanto, os ingressos deverão ser alavancados prioritariamente por meio do conteúdo digital.
Trata-se de um grande desafio: olhar para a cobertura de seus veículos e questionar-se se há valor diferencial no que estão entregando aos seus consumidores. Afinal, ninguém pagará por aquilo que pode encontrar de forma similar e gratuita na rede.
Impõe-se colocar a audiência no centro do processo. Já não basta que definamos nós o que precisam os consumidores de informação. É preciso ouvir o que eles têm a dizer. Interagir com eles. Captar suas sugestões. Aceitar suas críticas. O fenômeno das redes sociais estourou a bolha em que se confinavam alguns jornalistas que produziam notícias para muitos, menos para o seu leitor real.
O revigoramento do negócio passa também pela recuperação do rigor do velho ofício. O engajamento mina a credibilidade da imprensa. É preciso buscar fórmulas para uma cobertura mais serena, equilibrada e propositiva, relacionada aos problemas reais dos leitores.
O renascer do nosso setor passará pela construção de uma identidade editorial sólida, com apoio da tecnologia que permita escutar a voz dos consumidores.

Carlos Alberto Di Franco

É jornalista e bacharel em Direito. Especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado. Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra. Neste espaço, jornalismo e sociedade têm destaque

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Projeto de lei quer tornar crime qualquer atitude ou tratamento que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida
PL da Misoginia tem aval de Lula, ressalvas de Flávio, oposição de Zema e silêncio de Caiado
Sirene de polícia
Mulher desmaia após homem agredi-la com barra de ferro em Rio Bananal
Inteligência Artificial vai acabar com algumas profissões
IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados