Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (11) mostra que 56% da população não acreditam no título brasileiro em 2026, mas o número de otimistas subiu 10 pontos percentuais em relação a abril.
Depois de 24 anos sem conquistar o principal título do futebol mundial, ainda que timidamente, o Brasil volta a alimentar a esperança de erguer a taça e recuperar o protagonismo esportivo que marcou sua história.
Mas, para além do futebol, a Copa do Mundo pode cumprir outra função igualmente importante: ajudar a resgatar símbolos e cores nacionais que, nos últimos anos, foram indevidamente apropriados por um segmento da política brasileira.
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A bandeira do Brasil, suas cores e seus símbolos pertencem a todos os brasileiros. Ainda assim, durante muito tempo, o verde e amarelo foram sequestrados por um espectro político que tentou transformá-los em marca exclusiva de sua militância.
O que deveria representar a unidade nacional foi convertido em instrumento de disputa eleitoral ferrenha. As cores da pátria passaram a funcionar como uma espécie de uniforme ideológico.
O problema não está em demonstrar patriotismo por meio da bandeira ou da camisa da seleção. O imbróglio surgiu quando determinados grupos tentaram monopolizar símbolos que representam uma nação inteira.
O verde e amarelo foram utilizados como camuflagem para um fanatismo político que se apresentava como defensor exclusivo do Brasil, difundindo a falsa narrativa de que apenas um lado do campo político seria verdadeiramente patriota, enquanto o outro seria inimigo da pátria.
O resultado dessa apropriação foi perverso e ainda hoje se reflete. Mesmo em tempos de Copa do Mundo, há quem não queira usar a camisa da seleção ou utilizar as cores nacionais por receio de ser confundido com extremista de direita. O que é até compreensível, mas deve ser remediado.
Nesse contexto, além da busca pelo tão sonhado hexa, a Copa do Mundo surge como uma oportunidade para corrigir essa anomalia. O verde e amarelo precisam voltar a ser símbolos de todos.
Precisam deixar de remeter a lideranças políticas, partidos ou movimentos específicos para representar aquilo que sempre deveriam representar: a identidade de um povo.
Num país profundamente cindido por um fanatismo político deletério, fundado na lógica do “nós contra eles”, qualquer elemento capaz de reconstruir minimamente pontes merece ser valorizado.
Durante anos, compatriotas foram estimulados a enxergar uns aos outros como inimigos. Evidentemente, uma competição de futebol não resolverá divergências políticas nem eliminará radicalismos. Mas, numa espécie de egrégora, pode servir para recordar que existe algo que antecede nossas preferências eleitorais.
Os fatos mais recentes, aliás, demonstraram que muitos dos que reivindicavam para si o monopólio do patriotismo estavam menos preocupados com o país do que com interesses políticos particulares.
Patriotismo não consiste em vestir verde e amarelo em períodos eleitorais. Patriotismo é defender os interesses nacionais, respeitar as instituições democráticas e colocar o Brasil acima de projetos pessoais, familiares ou partidários.
Por isso, talvez seja hora de ocupar novamente as ruas, as praças e os estádios com as cores da bandeira, que é de todos. Não para defender políticos, mas para torcer pelo Brasil. Recordando que os símbolos nacionais não têm dono em vez de reforçar divisões.