Candidato do Partido Novo, Felipe D’Avilla repetiu o velho discurso manjado de seu partido: privatizar tudo quanto possível e reduzir ao mínimo o papel do Estado. A insistência no tema da privatização generalizada, inclusive, rendeu inúmeros “memes” nas redes sociais.
O candidato Jair Bolsonaro, que num primeiro momento assinalou certa falta de interesse em comparecer ao debate, fez aquilo que se tornou sua marca conhecida: distorcer ou até mesmo manipular dados e fatos para construir uma realidade paralela que o beneficie. Bolsonaro também atacou o Supremo Tribunal Federal, dizendo que a Corte cometeu “barbaridades” ao determinar medidas investigativas contra empresários (que são seus aliados), insistindo numa famigerada tese de “ativismo político” por parte do Judiciário, o que está longe de ser uma verdade plena.
Fato de grande repercussão no debate foram as agressões de Bolsonaro contra a jornalista Vera Magalhães. Em vez de responder à pergunta da jornalista, escancarando novamente seu ímpeto violento e agressivo, sem hesitar, disse que a jornalista dormiria pensando nele. Ao se comportar no debate como se estivesse numa discussão de mesa de bar, o presidente demonstrou, a um só tempo, um viés autoritarista e comportamento contumaz de perseguir jornalistas e menosprezar mulheres.
O candidato Lula, por sua vez, ao ser questionado diretamente por Bolsonaro sobre corrupção, escorregou ao tentar contornar o tema, preferindo enaltecer os dados de seu governo. Talvez fosse mais interessante ao petista apontar as inúmeras suspeitas de corrupção envolvendo Bolsonaro, como os relatos de interferência na Polícia Federal, os escândalos das “rachadinhas”, os ataques ao Judiciário e, mais recentemente, a notícia de que o clã Bolsonaro comprou inúmeros imóveis com dinheiro em espécie.
Aliás, a temática da corrupção no governo Bolsonaro foi mais bem abordada por Simone Tebet, que lembrou das denúncias de propina na compra de vacinas e no MEC, bem como o Orçamento Secreto, que não passa de um mensalão repaginado. Inclusive, após o debate, o número de seguidores de Tebet em redes sociais teve um aumento expressivo.
Tebet, entretanto, incorreu em contradição ao se dizer “feminista”, mas logo depois emendou defendendo que o Brasil precisa de uma mulher na presidência para “arrumar a casa”, como se o papel da mulher se restringisse às tarefas domésticas.
Quanto a Ciro Gomes, com o objetivo de ir ao segundo turno, acabou se comportando mais como um aliado de Bolsonaro, já que fez forte ataques ao candidato do PT. Ciro acertou ao alertar sobre como a precarização nas relações de trabalho tem causado impactos na saúde mental.