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História capixaba

Guilherme Santos Neves, um mestre capixaba que merece todo louvor

Sendo intelectual refinado, professor respeitado, pesquisador de alto brilho, doutor Guilherme permitiu que sua estima pela cultura popular convivesse de perto com sua dedicação ao ensino da língua portuguesa e da literatura

Publicado em 28 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

28 set 2021 às 02:00
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

Guilherme Santos Neves
O folclorista Guilherme Santos Neves ao lado de alunas do Colégio do Carmo Crédito: Arquivo/AG
Antes que setembro se acabe, é preciso louvar um dos mais ilustres homens destas nossas paragens. Alguém que nasceu em setembro, mais precisamente no dia 14, quando o inverno já se despedia do ano de 1906.
Esse fragmento biográfico deveria ser reconhecido por quem se interessa pela trilha de nomes notáveis que a memória cultural vai deixando como migalhas para marcar o caminho. Mas a memória cultural nem sempre é uma “memória lembrada”, atropelada que é por relaxos e esquecimentos, quando não por novidadeiros desprezos. Permitam-me então recordar esse alguém a quem me refiro: Guilherme Santos Neves. E recordar também o precioso legado que ele nos deixou.
Sendo intelectual refinado, professor respeitado, pesquisador de alto brilho, doutor Guilherme (como era conhecido em todas as vilas e cidadezinhas que visitou) permitiu que sua estima pela cultura popular convivesse de perto com sua dedicação ao ensino da língua portuguesa e da literatura em escolas e universidade.
Tomou para si um afeto pelas coisas mais simples: as cantigas de roda, os “cantes” do Ticumbi, os pontos de jongo, os versos romanceados, as folias de Reis, as toadas de congo, enfim, a infinita variedade de manifestações ancestrais que, há séculos, sedimentam o solo e o espírito (não só o santo, mas também o profano) deste nosso amado estado.
Imensa foi a riqueza cultural que ele registrou de todas as maneiras. Uma singela recordação me dá conta de sua presença luminosa portando um gravador Webster a fio imantado, ocupando-se em registrar personagens e eventos do povo.
A boa notícia é que toda sua produção (ou pelo menos boa parte dela) pode agora ser acessada, graças à Lei Aldir Blanc que, em boa hora, trouxe alívio a dias pandêmicos. O projeto “Registros Sonoros do Folclore no Espírito Santo” foi desenvolvido pelo Instituto Goia e pela Pique-Bandeira Filmes, com apoio da Secult, ES, da Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, do Governo Federal, a partir de um trabalho de pesquisa, restauro, conservação, digitalização, inventário e divulgação do “Acervo Guilherme Santos Neves”, até então guardado por familiares.
Tomara que esse belo trabalho reverta, com gratidão e proveito, às instâncias visitadas por ele em suas andanças de norte a sul, do mar à montanha. E que o Mestre Guilherme permaneça em nossas lembranças, com a ternura, a leveza, a generosidade que sempre dedicou às vivências culturais capixabas, e que estão cravadas no cristal da memória de quem teve a graça e a sorte bendita de tê-lo conhecido.

Bernadette Lyra

E escritora de ficcao e professora de cinema. Escreve as tercas-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporaneos

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