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Crônica

As diferenças entre a escrita de mulheres e de homens

Não é possível esquecer as que pretendiam se firmar na profissão literária e tiveram de recorrer ao anonimato ou a pseudônimos masculinos como estratégia para driblar os preconceitos sexistas

Públicado em 

16 jul 2024 às 02:00
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

Basta ver o tsunami de livros escritos por mulheres, atualmente postos à disposição em lançamentos, feiras de literatura, prateleiras de livrarias e adjacências, para concluir que a produção literária feminina se faz muito mais agora, no presente, de que no passado. E já não era sem tempo. Durante séculos e séculos, as mulheres, escritoras ou não, eram mantidas entre as quatro paredes do lar, do claustro de tantas outras dependências domésticas (e domesticadoras) a elas reservadas.
Muitas mulheres nem mesmo tinham acesso à educação escrita e não poucas ficavam isoladas das decisões sociais. E não é possível esquecer as que pretendiam se firmar na profissão literária e tiveram de recorrer ao anonimato ou a pseudônimos masculinos como estratégia para driblar os preconceitos sexistas.
Neste sentido, a experiência cultural e histórica das mulheres é singular e diferenciada, pois está firmada em duas raízes: a) a gestão da sua marginalidade em um mundo predominantemente gerenciado por homens; b) a necessidade de ajustar sua busca de modos de expressão e técnicas produtivas, tanto no dia a dia quanto nas artes. Como disse a escritora feminista Tillie Olsen: “Toda mulher que escreve é uma sobrevivente”.
Resta, porém, destruir a falácia da crença de que as mulheres escrevem sob uma estética do “feminino”, crença que perpetua as armadilhas do gênero, pois é muito comum a elas atribuir uma escritura meiga, doce, comportada, sem outras preocupações que expressar sentimentos de dores e amores pessoais ou de submissão aos machos da espécie.
Ou seja, falta denunciar uma literatura que traz a reboque a ideia de naturalização dos atributos femininos, já devidamente “naturalizada” pela cultura patriarcal e imersa na condescendência (quando não na “proteção”) da visão masculina, em que tudo corre como se houvesse uma determinação biológica dos modos de escrever.
É preciso pensar que, quando uma mulher escreve, ela está em condição de outro de si mesma, indagando e aprendendo sobre ela própria e, por extensão, sobre as outras mulheres e sobre as múltiplas diversidades que, atualmente, merecem serem respeitadas, de acordo com a luta atual contra binarismo das convenções de gênero.
Dessa forma, é possível falar da expressão de um universo múltiplo e diversificado na escrita feita pelas mulheres e observar o fato de que existe um elo indissociável entre a literatura e as experiências femininas, em que se desenvolve uma tomada de consciência do espaço de resistência social e política que os movimentos de mulheres, hoje, vêm atravessando.

Bernadette Lyra

É escritora de ficção e professora de cinema. Escreve às terças-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporâneos

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