Entre notícias de descobertas de buracos negros, explosão de estrelas, raios gama, neutrinos, encontrões entre galáxias etc etc etc, lá vamos nós cumprindo a sina cheia de som e fúria da nossa vida de seres humanos. Nosso planeta é o único refúgio que temos para abrigar a nossa curta existência, criaturas perdidas em meio a furiosos cataclismas e embates que se travam no universo. Pelo menos até que a Nasa ou outra qualquer agência habilitada (ainda que secreta) nos diga o que será de nós um dia.
Não dá para não acreditar que é disso que se trata, depois de tanto gasto com foguetes, sondas, telescópios, tantos demais artefatos cada vez mais tecnologicamente aperfeiçoados e aprimorados. É certo que a imensa gula capitalista se move e se comove diante das possibilidades exploratórias de minerais raros e demais produtos exóticos pelo cosmos afora, muitos de serventia militar e úteis às guerras. Mas a procura de um lugar onde a humanidade possa se reproduzir e se perpetuar parece ser o plano futuro mais certo.
Ao mesmo tempo, ecólogos e biólogos falam de uma Nova Era. Não se trata, porém, daquela onda cultural, a new age dos anos 60/70, que pretendia construir uma outra consciência mística e espiritual, com fraternidade e sabedoria em doses iguais. Essa se esboroou como um ovo gorado diante da estupidez da humanidade, tal como profetizava a bela canção do Gil, o Gilberto. Trata-se do Antropoceno, a Era Nova de agora, que abre lugar para o sexto evento de extinção em massa planetária da história. Uma época geológica caracterizada pelo impacto das ações do chamado “homo sapiens” sobre a Terra.
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No Antropoceno, as interferências humanas alteram até mesmo a topografia da crosta terrestre. Todas as áreas da natureza estão danificadas em seu equilíbrio homeostático. O egoísmo e a ganância - que podem ser apontados nos mais variados setores das populações mundiais - alteram a química da atmosfera; causam a extinção de muitas espécies; promovem a acidificação dos solos e das águas; poluem rios, lagos e oceanos; ameaçam a existência de água potável.
Estamos em uma época cruelmente marcada pela redução da biodiversidade, desmatamento, mudanças climáticas desastrosas. Três monstruosidades, muitas vezes, particularizadas para fins políticos. Tanto que alguns “bodes expiatórios” são apontados, a título de culpa. Mas a culpa é bem mais extensiva. Na verdade, tais males se estendem por toda terrestre expansão. São pecados de todos os povos. E nenhum país do mundo poderá se fingir de inocente.