Há apenas sete meses no mercado capixaba, a empresa NaCapital - que atua no ramo de escritórios compartilhados, os chamados coworkings - já tem planos de expansão. De acordo com o sócio-fundador, Erik Lorenzon Coutinho, estão previstas duas unidades ainda para 2020, ambas a serem abertas em Vitória, onde também está localizado o projeto-piloto.
O investimento é da ordem de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. Os locais ainda estão sendo definidos, mas entre os potenciais estão: Enseada do Suá, Praia do Canto, Reta da Penha e Jardim Camburi. Segundo Lorenzon, além das unidades próprias, há perspectivas de crescer por meio da prestação de serviços, com a montagem e a operação de coworkings para terceiros.
O empresário, que está no ramo imobiliário há mais de 20 anos, afirma que o conceito de coworking já tem grande adesão mundo afora. No Brasil, São Paulo é o Estado onde ele está mais difundido. Para ele, entretanto, é preciso levar esse modelo ao conhecimento de mais pessoas.
"A maior dificuldade para expandir é a universalização do conceito. Em São Paulo, tornou-se corriqueiro a empresa transpor a barreira do status. Aqui não passamos dessa fase. Muitos ainda enxergam como se estivessem abrindo mão da própria sede e entendem isso como algo negativo. Mas acredito que esse é um mercado com grande potencial."
Para Lorenzon, entre os principais benefícios estão a redução de custos, que podem chegar a 70%, e a flexibilidade que a empresa ou o profissional autônomo pode ter no dia a dia do negócio. "Nossa estrutura é toda pensada em facilitar a adaptação seja qual for a necessidade. A empresa cresceu? Então, aumentamos o espaço. Um projeto chegou ao fim? Então, damos a opção de reduzir o número de salas e o empresário, consequentemente, terá custos operacionais menores. A liberdade é um ponto-chave."
Ele acrescenta que a vivência em comunidade e a troca de experiências entre negócios de diferentes setores e portes também é uma vantagem dos escritórios compartilhados. No NaCapital, por exemplo, estão ou já passaram pelo coworking empresas das áreas de construção, consultoria, hotelaria, projetos, advocacia, startups, entre outras.
Questionado pela coluna se a pandemia do coronavírus não poderia adiar ou até cancelar os planos de expansão, Erik Lorenzon garantiu que não e frisou que esse novo momento pelo qual o mundo todo está passando pode até acelerar a demanda pelos escritórios compartilhados. Para ele, ainda haverá muita incerteza na economia nos próximos meses e, ao escolher o coworking, a empresa consegue se adaptar sem precisar mobilizar um grande capital.
"Venho acompanhando os desdobramentos, por exemplo, em Hong Kong e em Singapura, e, por lá, esses negócios vêm se afirmando. No médio prazo vejo que haverá uma consolidação do setor. Até porque a colaboração passa cada vez mais a ser reconhecida como a mágica que salva. As empresas que conseguirem estabelecer conexões produtivas com outras vão ter muito mais chances do que as que permanecerem isoladas"
PERFIL
- Nome: Erik Lorenzon Coutinho
- Empresa: NaCapital Escritórios & Coworking
- Cargo: Sócio-fundador
- No mercado: Desde 2019
- Negócio: Coworking (escritório compartilhado)
- Atuação: Vitória
- Funcionários: 3
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
O novo normal vai ficar velho rápido. E é nesse contexto mesmo que espero uma retomada mais rápida do que a maioria. Estamos muito mais conectados do que antes e assim os nossos esforços podem se combinar mais facilmente para gerarmos novas soluções mais rápido.
Pandemia do coronavírus:
Transforma o modo como as empresas usam os escritórios. Cada vez mais vamos ter um misto de home office, escritório tradicional com escritórios compartilhados e coworkings.
Pedra no sapato:
Tem que parar, tirar o sapato, jogar a pedra fora e continuar andando!
Tenho vontade de fechar as portas quando:
Depois de terminar um dia produtivo de trabalho para descansar e reabrir no dia seguinte.
Solto fogos quando:
Vejo no meu espaço empresas descobrindo, meio que, por acaso, que estão aprendendo com outras e que essa convivência as torna mais fortes!
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria:
A notoriedade que os escritórios compartilhados têm no ES, para podermos nos aproximar do que já acontece em São Paulo, onde empresas tradicionais e de renome já têm suas sedes em espaços assim.
Minha empresa precisa evoluir em:
Passar rápido do estágio de operação de unidade própria para o estágio de prestadora de serviços para montar e operar coworkings para terceiros.
Se começasse um novo negócio seria:
Inventar outro mecanismo que ajudasse as pessoas a usarem o trabalho como meio para evoluírem e serem felizes.
F
Futuro:
Expandir como rede, com unidades próprias e operando unidades de terceiros.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Mick Jagger. Espírito empreendedor e resiliência incomparável liderando sua empresa há 57 anos e ainda encantando os seus clientes.