O frigorífico capixaba Frisa está no mercado há mais de 50 anos. É uma das principais indústrias de alimentos do Brasil e, além de atender o mercado interno, está presente com os seus produtos em mais de 60 países na Europa, Américas, Oriente Médio e Ásia. Tem unidades em Colatina (ES), Nanuque (MG), Teixeira de Freitas (BA) e Niterói (RJ). Conta com mais de 3 mil funcionários diretos e tem capacidade de abate superior a 1.200 bois por dia.
Mesmo com números bem expressivos, o fundador e diretor-presidente do Frisa, Arthur Arpini Coutinho, considera que a empresa ainda tem muito a crescer. Em entrevista à coluna, ao ser perguntado se o frigorífico era um dos maiores do país, ele ponderou que o enxerga como médio, aliás, "relativamente pequeno" nas suas palavras. Mas afirmou que a companhia está sempre trabalhando para ganhar mercado seja com novos investimentos em maquinário, tecnologia ou no desenvolvimento de produtos.
Para Coutinho, um dos caminhos para a expansão do negócio está na abertura de capital na bolsa. Ele explica que vê essa operação como uma oportunidade, mas pontua isso deve acontecer mais para frente.
"Acho que é uma oportunidade que a gente tem que procurar, mas avalio que a empresa hoje é pequena para isso. É uma meta que a gente tem que perseguir, mas dependemos de um pouco mais de crescimento. A gente gostaria de novos capitais para investir no próprio setor. Por isso, esse plano não está fora das expectativas, só que é algo mais a médio prazo."
Em 2016, o Frisa chegou a negociar a venda da empresa com o frigorífico Minerna. A operação foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sem restrições, mas não foi concluída. Em janeiro de 2017, as partes anunciaram que o negócio não seria efetivado.
Arthur Arpini Coutinho lembra que as empresas não chegaram a um acordo e então o contrato foi extinto. "Achamos que não era o momento", observou ao citar que hoje não há nenhum tipo de negociação com outra companhia para a venda do Frisa.
ATUALIZAÇÃO
O empresário, que também é o presidente da Empresa Luz e Força Santa Maria, afirmou que o mercado de alimentos está em constante transformação e destacou que a exigência do consumidor se intensificou nos últimos anos.
"O cliente sabe o que ele quer. E isso é muito bom. Porque acredito que, para o mundo evoluir, a população tem que ser cada vez mais exigente. No nosso segmento, estamos sempre desenvolvendo novos produtos alimentícios. A cada ano participamos de feiras mundiais, onde observamos as novidades do mercado e investimos para aplicá-las."
Outra exigência que ganhou relevância nos mercados mundiais nos últimos anos foi a forma como os frigoríficos lidam com os seus animais e o tipo de responsabilidade que têm em relação ao meio ambiente. Coutinho contou que a empresa além de não comprar gado ou matérias-primas de terras desmatadas ilegalmente, tem investido cada vez mais nos cuidados com o bem-estar animal. "A condição que o animal vive, o tratamento que ele recebe nas propriedades, como ele é transportado. Tudo isso é muito avaliado e muito exigido pelos países compradores".
O diretor-presidente disse defender todos esses cuidados, mas ponderou que, de forma geral no Brasil, há excessos. "O meio ambiente no país poderia ser melhor, mas há certas exigências totalmente desnecessárias", criticou.
PERFIL
- Nome: Arthur Arpini Coutinho
- Empresa: Frisa
- Cargo na empresa: Diretor-presidente
- No mercado: Há 52 anos
- Negócio: Indústria de alimentos - Frigorífico
- Atuação: Em mais de 60 países. Com unidades em Colatina, Nanuque, Teixeira de Freitas e Niterói.
- Funcionários: Mais de 3 mil diretos
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Passará por um momento muito difícil, e o efeito da crise sobre o país é muito grande. O que eu mais lamento é a consequência que virá por meio de um desemprego volumoso no país.
Pandemia do coronavírus:
Nós estamos trabalhando com quadro reduzido, mas muitos setores não estão nem conseguindo trabalhar. Não me lembro de crise pior.
Pedra no sapato:
Essa pandemia.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
Nunca. Pensar em fechar as portas é a morte!
Solto fogos quando:
Vou fazer isso quando descobrirem a vacina para o coronavírus. Minha maior alegria vai ser ver as pessoas podendo voltar ao trabalho e terem condições melhor de vida.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria:
O elevado custo operacional. O Brasil é o único país do mundo em que no nosso setor a pessoa trabalha uma hora e 40 minutos e tem que ficar deitada durante 20 minutos. Isso encarece muito o negócio.
Minha empresa precisa evoluir em:
Na aquisição permanente de equipamentos mais modernos e no desenvolvimento de novos produtos.
Se começasse um novo negócio seria:
Em geração de energia.
Futuro:
Peço a Deus que me dê saúde para trabalhar um pouco mais. Neste mês faço 88 anos e quero poder trabalhar e aproveitar um pouco mais a vida.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Admiro muitos profissionais que trabalham na minha empresa e um deles é o Djalma Nardi, que há 62 anos trabalha comigo. É uma pessoa com qualidades em todos os sentidos.