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Fontes limpas

Governo do ES vai criar programa de estímulo a energias renováveis

Projeto desenvolvido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento deve ser lançado ainda neste ano

Publicado em 20 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 out 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Torres de geração de energia eólica no mar
Torres de geração de energia eólica no mar Crédito: Thomas G./Pixabay
governo do Espírito Santo vem trabalhando em um programa voltado para o setor energético. A ideia é estimular projetos de fontes de energias renováveis e atrair investidores interessados em injetar recursos na área.
A proposta está sendo capitaneada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes) e deverá ser lançada ainda neste ano, conforme relevou uma fonte à coluna. O tema já começou a ser debatido nos bastidores do governo e junto à iniciativa privada, mas ainda não ganhou ares oficiais.
Tanto é que ao ser procurada a Sedes confirmou que estuda a possibilidade, mas não entrou em detalhes. “A Secretaria de Desenvolvimento ressalta que tem acompanhado de perto as demandas voltadas para a geração de energias renováveis no Estado do Espírito Santo. Desta forma, estuda a elaboração de um projeto que contemple o segmento.”
Uma pessoa que teve acesso aos planos do governo contou que no escopo do programa aparecem diferentes fontes de energia para serem fomentadas, como é o caso da solar, da eólica e da biomassa.
“A ideia é criar um ecossistema para aproveitar e estimular as oportunidades que virão pela frente. É um programa bem amplo que deve abarcar fabricantes de placas de energia solar, atrair fornecedores da área de eólica, enfim, aproximar empresas e o público interessados em fontes renováveis para que o Estado comece a formar conhecimento e a falar de energia de forma pragmática", observou uma fonte que pediu para não ser identificada. 
Para absorver as novas diretrizes e projetos na área energética, a Sedes deve passar por algumas mudanças, como com a criação de uma gerência dedicada ao assunto. O modelo, entretanto, ainda está em fase de estruturação.
Instalação de painel solar: Governo do ES quer estimular projetos de energia limpa
Instalação de painel solar: Governo do ES quer estimular projetos de energia limpa Crédito: Skeeze/Pixabay
O movimento do governo do Estado acontece em um momento em que o Espírito Santo tem sido procurado por empresas nacionais e estrangeiras interessadas em desenvolver projetos de energia limpa por aqui, como é o caso da eólica. Há dois parques eólicos offshore sendo estudados para o Estado, ambos no Litoral Sul capixaba. Um deles é o da empresa do Rio de Janeiro Votu Winds e o outro é o da gigante norueguesa Equinor
A depender do formato e das condições do programa que o governador Renato Casagrande (PSB) e sua equipe vão lançar, o Espírito Santo pode sair na frente de outros entes da federação na implantação de projetos de energia sustentável. Para se ter uma ideia, não existe no Brasil nenhum parque eólico offshore em operação. Há empreendimentos em análise, mas ainda longe de serem viabilizados. Criar uma condição favorável de estímulo ao setor pode acelerar investimentos como esse. 
Outro contexto que faz com que o programa ganhe protagonismo é o fato de o mundo estar buscando novas formas de gerar energia, com o objetivo de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e a emissão de gases causadores do efeito estufa.
Ainda que o Espírito Santo tenha uma forte relação com a indústria do petróleo e do gás, olhar adiante e avançar com a transição energética pode representar ganhos econômicos, ambientais e sociais relevantes.   
Soma-se a isso o fato de a Petrobras cancelar ou enxugar, ao longo dos últimos anos, projetos para o Estado. Além do desinvestimento em campos terrestres, a companhia desacelerou a injeção de recursos em empreendimentos marítimos, como A Gazeta mostrou no caso da postergação, pela terceira vez, do projeto Integrado Parque das Baleias.
Com o ritmo menor de investimentos e de produção da Petrobras no Espírito Santo, o Estado precisa se preparar para não ficar órfão quando a companhia não estiver mais por aqui de forma robusta. Porque além de criar um vazio na receita com royalties e participações especiais, por exemplo, a redução do nível de atividade da petrolífera tende a impactar a cadeia de fornecedores, o desenvolvimento de tecnologia e a geração de emprego e renda. 
Assim, estruturar negócios em outras áreas, sobretudo naquelas que fomentem a energia limpa,  e atrair empresas para o Estado pode representar um futuro sem sustos econômicos e ambientalmente mais responsável. Agora, é aguardar a proposta  do governo. Na teoria, ela sinaliza ser promissora,  mas é na prática que o programa vai mostrar a que veio. 

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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