*Por Eduardo Pasquinelli Rocio
Já estamos no segundo semestre de 2026. Ainda há muito ainda a ser feito, muitos sonhos, muito trabalho e boletos a vencer. Que tenhamos força e clareza para continuar nessa correria sem fim até que chegue o Natal. Nesse ritmo, pouco nos atemos às nossas necessidades, ao valor da qualidade de vida. Aliás, esse conceito de qualidade é absolutamente variável, seja pela faixa etária de cada indivíduo, seja pelos seus valores e perfil social.
A qualidade pode ser condensada em um acúmulo de bons momentos usufruídos em nossos dias, no “lugar” e no “tempo” que nos agradam, na sensação de pertencimento e de paz. São nesses momentos em que trazemos para nossa vida algo de bom, um presente, um encontro com o nosso “eu” interior.
Passando na tangente do momento puramente filosófico, pontuo aqui a importância do “espaço físico” nessa contextualização do sentimento e sensação da “qualidade de vida”. Podemos pensar aqui nos momentos da infância, da memória afetiva desse ou daquele lugar.
Sem forçar a barra do saudosismo, sempre nos lembramos daquela praia, daquelas férias, da família, dos amigos... inclusive daqueles que já não estão mais presentes. Todo esse filme, quase nostálgico, nos traz como pano de fundo os lugares em que vivenciamos essas experiências de vida.
Sim, a qualidade de vida é lembrar dos momentos felizes e a busca constante desses momentos nos nossos dias, pelo menos em parte deles.
Mesmo que a variação do entendimento seja enorme, trabalhar perto da moradia é um ganho, poder ir a pé, passeando pelas ruas do caminho. Quase como um prazer solitário do “fleneur”, que observa, que se “alimenta” das informações captadas no percurso. Cito também o momento do caminhar na praia, do banho de mar nas águas geladas capixabas.
Qualidade de vida pode ser aqueles minutos em que você se permite olhar para o lado e sentar com seu cachorro na sombra de uma árvore, fazer um esporte ou ler algo que acrescente. É isso e muito mais, ou menos, depende de cada um.
O que poderia ser comum a todos nós, é sim um espaço de moradia digna, o que sem dúvida depende dos valores socioeconômicos, mas de uma cama limpa e que possa nos receber nos momentos de descanso, de uma água quente de chuveiro, de uma cozinha e sala confortáveis. Isso ainda podendo morar onde você entende que é o seu “lugar” de permanência.
Mesmo que tudo seja uma completa variante de significados e de valores, o lugar em que trabalhamos, o local da moradia, a rua, a praça, o bairro e suas opções de lazer trazem a espacialidade do ambiente, seja urbano, seja rural.
Possivelmente essa percepção, individual e coletiva que nos traduzem a identidade de cada lugar, daquele recanto seu, no qual há o sentimento de pertencimento e da leveza de conseguir aproveitar a vida. Bom saber que a Arquitetura, o Urbanismo e o Paisagismo estão presentes nesse palco.
*Arquiteto e urbanista, vice-presidente da Asbea/ES e sócio fundador da Arquistudio Arquitetura