Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Economia

Roberto Campos Neto precisa ouvir e escutar Belonisia

Os financistas encastelados no Banco Central continuam operando como se os critérios ‘técnicos’ que utilizam fossem verdades absolutas e superiores ao bom senso de Belonisia

Publicado em 18 de Maio de 2023 às 00:30

Públicado em 

18 mai 2023 às 00:30
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, discursa durante cerimonia de sansão da Lei da Autonomia do Banco Central
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, discursa durante cerimonia de sansão da Lei da Autonomia do Banco Central Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Copiado de personagem de Itamar Vieira Jr. em ‘Torto Arado’, o nome Belonisia é utilizado para manter o anonimato da pessoa que inspira este artigo. Mulher que nasceu, cresceu e mora em bairro pobre da Grande Vitória, Belonisia se considera uma vencedora e relata sua felicidade por ter comprado o que faltava para terminar a casa que ela e o marido estão construindo há mais de três anos na laje da propriedade dos pais dela.
Nos termos adotados pelos marqueteiros e coachs que prometem sucesso nos tempos atuais, Belonísia é uma empreendedora que sabe diversificar suas fontes de renda. Faz faxina, bolo para fora, é manicure, pedicure, cabeleireira e está sempre se atualizando pela internet sobre tudo o que faz para fazer cada vez melhor.
É casada com um operador de empilhadeira que trabalha em uma empresa de logística da cidade e que deseja tirar carteira de motorista profissional para melhorar seus ganhos financeiros. A carteira profissional fica para depois que as despesas com a construção da casa terminarem.
Despesas que são sempre parceladas via crédito das lojas de material de construção ou através do cartão de crédito que o padrasto empresta. Quanto à taxa de juros que são cobradas, pouco importa. O que é levado em consideração é se as parcelas podem ser cobertas com a soma do salário do marido e de tudo que Belonisia tem como certo de receitas de suas múltiplas iniciativas.
Pagar as parcelas rigorosamente em dia é questão de honra e viabilidade financeira. Em hipótese alguma podem perder o crédito, “... a única coisa que permite a gente fazer alguma coisa para o futuro”.  No momento, a prioridade é para deixar a casa em construção arrumadinha e poder morar em algo próprio. Sonho que está se realizando porque moram desde que casaram na casa da mãe e do padrasto que agora cederam a laje para a construção do cafofo próprio.
Nada que Belonisia e o marido compram deixará de ser comprado por conta da taxa Selic ou pelos spreads cobrados pelos bancos. Termos que ela entende pouco conceitualmente mas que sente diretamente nas contas a pagar e na hora se calcular o quanto cabe a mais de prestação no orçamento familiar. Orçamento administrado com rigor, sem essa de sair para comer/beber fora. As comemorações e saídas para o lazer são acompanhadas por comidas e bebidas levadas de casa pois na rua “...os preços são um absurdo”.
O que fica claro é que para Belonisia, seu marido e a maioria das pessoas em situação semelhante a deles (mais da metade da população brasileira), os juros absurdos que pagam para adquirir qualquer bem em nada os impede de comprar o que desejam, desde que as parcelas caibam no orçamento. Altas ou manutenção de juros elevados só servem para adiar sonhos, vontades e condições para melhor os rendimentos, como é o caso da carteira de motorista profissional para o marido.
Conversando com ela fica também claro que grande parte do que consomem famílias com renda mensal de até cinco mil reais é produzido por empresas que podem ter sua capacidade ampliada facilmente se tiverem acesso a crédito a juros compatíveis com o retorno financeiro esperado. Ou seja, podem gerar mais empregos e mais renda sem causar inflação.
Inflação preocupação obsessiva do sr. Roberto Campos Neto e quem ele representa na presidência do Banco Central cujas causas estão muito longe do consumo de Belonisia e da maioria da população brasileira. Central na inflação mundial é a formação de estoques especulativos por parte do capital improdutivo cujos ganhos compensam o pagamento de juros mais altos.
Nem tão altos quanto os pagos pela maioria dos consumidores e micro, pequenas e médias empresas. Para o capital improdutivo tem sempre subsídios cruzados.
Os financistas encastelados no Banco Central sabem disso, mas continuam operando como se os critérios ‘técnicos’ que utilizam fossem verdades absolutas e superiores ao bom senso de Belonisia e do quanto ela representa a essência do povo brasileiro: resiliência, dedicação ao trabalho, e sonho sempre presente por dias melhores.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Clientes fizeram fila para entrar primeiro no estande de vendas do Boulevard Arbori.jpeg
Condomínio de luxo em Vila Velha tem fila no estande e vende 90% dos lotes no pré-lançamento
O cineasta capixaba Rodrigo Aragão
Cineasta Rodrigo Aragão será homenageado no 33º Festival de Cinema de Vitória
Imagem de destaque
Confira qual é o conselho do Universo para cada signo neste fim de abril

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados