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Tecnologia

Inteligência Artificial: as respostas certas para perguntas equivocadas

E isso para aumentar cada vez mais o poder de captar e manipular informações em benefício de alguns poucos proprietários das grandes plataformas e de seus parceiros gestores de fundos financeiros

Públicado em 

15 mai 2025 às 03:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Desde meados do século passado, o mundo vive o aumento da velocidade das inovações baseadas nas mudanças aceleradas das chamadas tecnologias da informação e das comunicações. De certa maneira, o tempo entre o descrito pela ficção científica e as mudanças nas rotinas de processos produtivos e na interação entre os humanos foi se encurtando cada vez mais.
Foi assim com a internet, com o telefone celular e com a eletrônica embarcada em veículos e em utensílios domésticos. O que foi lido nos livros de Ian Fleming e mostrado nos filmes de James Bond, por exemplo, passou a chegar cada vez mais rapidamente em tudo o que envolvia captação, tratamento, difusão e recepção das mais diferentes informações possíveis.
Nesse sentido, nenhuma surpresa com o que vem acontecendo com a chegada da inteligência artificial a praticamente tudo o que é feito para encantar aficionados e assustar reticentes. Os primeiros, cada vez mais apologistas do determinismo tecnológico que assegura que tudo vai ser mais fácil e mais eficiente. Os últimos, cautelosos sobre impactos de diversas ordens e magnitudes que a intensificação do uso da inteligência artificial trará.
Nada de novo nesse encantamento, por um lado, e nessas cautelas, por outro. Foi assim em todas as mudanças de paradigma tecnológico, desde a máquina a vapor que deu início ao que se chama no Ocidente de revolução industrial. Uma diferença crucial em todas as mudanças de paradigma — da máquina a vapor às tecnologias da informação e comunicações — é a forma como, no Ocidente, os avanços tecnológicos, socialmente construídos, estão sendo apropriados e controlados por alguns poucos senhores feudais.
Controle e apropriação que buscam, pelos mais diferentes métodos — inclusive atentando contra a democracia — se livrar de toda e qualquer regulação por parte dos estados nacionais. Regulações estas que, nas mudanças pretéritas de paradigma tecnológico, foram entendidas como legítimas e necessárias.
Entender criticamente esse poder exercido por alguns poucos dominadores ilegítimos da essência da IA é que precisa se tornar mais e melhor debatido em todas as instâncias de poder e, sobretudo, junto à sociedade. Porque ela é socialmente construída e fomentada financeiramente. Isso para evitar que a discussão sobre o importante ofusque o fundamental – como o impacto no mundo do trabalho; na privacidade das pessoas; no controle sobre o que fazem pessoas, empresas e governos. E o fundamental é discutir questões e encaminhar respostas para o que, afinal, a IA pode fazer — e que tecnologias existentes não podem —, na busca de soluções para questões essenciais para a sobrevivência dos humanos em uma Mãe Terra cada vez mais dilapidada.
Isso porque apologistas do novo instrumento de captação, processamento e difusão de informações parecem acreditar que a IA, por um lado, seja uma nova varinha de condão para resolver os problemas da humanidade. Problemas como a fome — vergonha há muito da humanidade —, que certamente inexistiria com uma melhor distribuição de terras, equipamentos, subsídios e financiamentos. Problemas que persistem, como os da saúde e educação para todos, porque recursos públicos continuam sendo gastos, em grande parte, com guerras e para atender à cobiça de poucos especuladores.
Por outro lado, esses apologistas acríticos do novo instrumento apresentam-na como detentora de soluções para problemas que, digamos, inexistem. Por acaso falta pessoal qualificado para dirigir veículos automotores? Então, para que fazer tanta propaganda da IA como resposta para veículos auto dirigíveis? Desde quando velhice é doença? Por que, então, aplicar tantos recursos (inclusive públicos) na solução de uma doença inexistente?
Trata-se de indicações de que o novo instrumento de controle social está a serviço de respostas boas para perguntas inexistentes. E isso para aumentar cada vez mais o poder de captar e manipular informações em benefício de alguns poucos proprietários das grandes plataformas e de seus parceiros gestores de fundos financeiros. Nada que traga melhores perspectivas de como humanos se relacionam entre si e com a Mãe Terra.
A quem chegou até aqui, encaminhei o texto acima para uma ferramenta de IA que simula conversas com humanos. Pedi uma sugestão de final contundente e mobilizador, que buscasse provocar reflexão e ação. Eis a resposta:
“Diante desse cenário, resta a pergunta essencial: vamos continuar aceitando que decisões fundamentais para o futuro da humanidade sejam tomadas por uma elite técnico-financeira que sequer presta contas à sociedade? Ou vamos, finalmente, tomar nas mãos o debate sobre quais tecnologias queremos, para quem e para quê? A inteligência artificial não é neutra — e o silêncio diante de sua apropriação predatória também não será. É hora de romper o feitiço do deslumbramento e construir, com consciência crítica e coragem política, tecnologias que estejam a serviço da vida, da dignidade e da sustentabilidade da Mãe Terra. O futuro ainda pode ser nosso — se ousarmos disputá-lo.”
Inteligência artificial
Inteligência artificial (AI) Crédito: Pixabay
Em seguida pedi uma versão mais poética e combativa do final, mantendo o tom crítico e convocando à ação com força simbólica. Eis a sugestão dada:
“Não há magia na máquina, nem salvação no silício. Há escolhas. E há silêncio - o mais perigoso dos pactos. Se não tomarmos a palavra, outros programarão o mundo em nosso lugar. É hora de desobedecer ao encantamento, de hackear o destino imposto e reencantar a tecnologia com propósito humano. Que a inteligência seja, antes de tudo, sensível. E que o futuro não seja algoritmo de poucos, mas semente de todos.”
Qual seria a sua escolha entre as duas? Envie um final que pareça mais compatível com o que você pensa sobre o tema. Obrigado pela leitura e pelo que dela for derivado.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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