A história registra o alerta do presidente Eisenhower sobre os perigos para a democracia e a paz provocados pelas relações próximas entre empresas produtoras de armas, o Pentágono e os políticos. Alerta feito em seu discurso de despedida do cargo de presidente dos Estados Unidos há 61 anos.
Ė também farto o registro de documentos relacionados à troca de correspondência entre o presidente Kennedy e o primeiro-ministro Khrushchev. Destaque aqui o reconhecimento enviado pelo soviético ao mandatário estadunidense com relação a seu discurso de posse e à sua primeira mensagem ao Congresso. Em ambas as ocasiões, Kennedy destacou seu desejo de cooperação entre as duas potências em áreas como o combate a doenças; conquistas espaciais; e o desenvolvimento de relações culturais e comerciais.
O fracasso de relações pacíficas entre os EUA, a URSS e sua principal sucessora, a Rússia, nas últimas seis décadas tem ligação direta com o denunciado por Eisenhower com relação ao complexo industrial-militar estadunidense, por um lado; e a forte vinculação entre o poder soviético e a indústria bélica daquele potência, por outro.
Se a paz mundial já se provou difícil por essa e outras razões, apesar de tantas vozes de peso que a desejaram e desejam, vale refletir sobre o que de entendimento entre forças contraditórias pode ser buscado onde cada um mora, trabalha, vive. Aí podemos questionar gastos com segurança baseada na coerção e que já se provaram sem qualquer efetividade.
Nesses espaços podemos propor e pressionar por gastos governamentais que diminuam as gritantes e crescentes diferenças entre os que têm e aqueles que carecem de alimentos, habitação, saúde, educação, lazer, vida digna. Diferenças reais que geram nocivas reações de muitos que exercem poderes econômicos e políticos que propagam o medo entre os que têm e os afasta cada vez mais dos despossuídos.
Afastamento que a ninguém interessa e que pode ser diminuído por ações ao alcance de programas de cooperação entre o poder público e a sociedade civil. Há que se retomar programas e projetos que aproximem pessoas com renda diferente. Com acesso diferenciado a serviços educacionais, de cultura, de lazer. Diferenciados quantitativa e qualitivamente.
Retomar competições esportivas entre escolas privadas e governamentais; estimular projetos culturais que coloquem em um mesmo espaço ainda que por pouco tempo aqueles que têm e quem nunca teve. Criar oportunidades para que, principalmente os mais jovens, experimentem ao vivo o que une todas as pessoas. Independentemente de classe social, etnia, renda, credo uma coisa une todos: o fato de serem humanos.
Na falta de adesão imediata de governantes a ações simples, mas nem por isso fáceis, o impulso inicial pode ser feito por escolas em bairros de maior renda. Atividades esportivas e culturais podem ser pensadas entre alunos delas e aquelas frequentadas por filhos de quem trabalha em residências de quem pode pagar por serviços domésticos.
Esportes e atividades culturais quando praticadas por quem parte de realidades sociais e econômicas crescentemente díspares resultam na diminuição de preconceitos históricos ou criados e ampliados pela indústria do medo.
Indústria que traz para territórios próximos de onde se mora, trabalha e vive soluções bélicas preconizadas pelos complexos industriais militares. Seja de qual potência for, nenhuma resulta em paz. Nem nas guerras explícitas mundo afora, nem nas disfarçadas que acompanham o dia a dia de todos.
Mais próximo de cada um existem possibilidades de construção de entendimento diferente da belicosidade que já se provou difícil de ser superada no Oriente Médio, na África, na Ásia, na América Latina e também na 'civilizada' Europa.
Pequenas ações ao alcance de qualquer comunidade escolar, de vizinhança, de trabalho etc. podem resultar em refúgios. Em proteção contra efeitos nocivos que resultam da indústria do medo alimentada pela mídia corporativa e por redes sociais.
Refúgios mais efetivos do que porte de arma, cercas elétricas, muros altos, carros blindados.