Sair
Assine
Entrar

Dica do Aquiles

O Brasil interiorano de Chico Teixeira

Sexto álbum do músico, "Ciranda de Destinos" traz participações de Almir Sater, Renato Teixeira, Roberto Mendes e Yamandú Costa

Publicado em 30 de Junho de 2020 às 15:12

Públicado em 

30 jun 2020 às 15:12
Aquiles Reis

Colunista

Aquiles Reis

Capa do álbum 'Ciranda de destinos', de Chico Teixeira
Capa do álbum 'Ciranda de destinos', de Chico Teixeira Crédito: Arte de Elifas Andreato
Ponho-me pronto para uma nova audição de "Ciranda de Destinos" (Kuarup), o CD de Chico Teixeira. Preciso dizer-lhes sobre ele.
Como as águas de um rio guenzo deslizando por entre pedras e areias, sinto-me apto a sentir de novo o prazer de ouvir o marulhar de suas águas que vão sem voltar. São os sons que se desapegaram do seu deslizar macio e, hoje, emitem lamentos miúdos, quase tímidos.
O músico Chico Teixeira
O músico Chico Teixeira Crédito: Paulo Rapoport / Divulgação
Como os sons vindos quando a lata puxa a água da cacimba, a música de Chico Teixeira flui em seu curso. Arrebatador, como um cantor solitário, ele não pensa em algo ou em alguém, pensa, isso sim, em entender o que a vida dá sem pedir troco. E canta como se fenecer derivasse de momentos vividos desde mil anos atrás.
Vamos lá: a linda capa do álbum é do grande Elifas Andreato, bem como a produção e a direção musical são de Chico Teixeira. E a tampa abre: o clarone de Márcio Werneck, em “Bachianas Brasileiras No. 2 – O Trenzinho do Caipira” dá ao tema de Villa-Lobos um ar de introspectiva melancolia. O som grave acompanha a viagem do personagem. Ora com o violão, ora com a flauta de Maurício Novaes, Teixeira expõe ao mundo o Brasil sertanejo.
Com João Oliveira se revezando no violão e na guitarra, Teixeira canta “Correnteza” (Tom Jobim e Luis Bonfá): “A correnteza do rio/ Vai levando aquela flor/ O meu bem já está dormindo/ Zombando do meu amor (...)”. Belo!
“Riacho de Areia” (adaptação de Frei Chico) tem participação especial de Roberto Mendes (violão, voz e palmas) e de Renato Teixeira (voz e palmas). Nessa escolha feliz, Chico Teixeira dá mais sabor à cantiga mineira. Com refrão curto (“Adeus, adeus/ Dona, Adeus!”), versos bem construídos – “(...) Eu vou-me embora/ Eu morava no fundo d’água/ Não sei quando voltarei/ Eu sou canoeiro (...)” – eles vêm numa levada cadenciada.
“Linda Morena” (Riachão) conta com a participação vocal de Almir Sater e sua viola, ponteando até se juntar ao violão e à voz de CT. Enquanto os versos de Riachão idealizam um amor “veinho”, a melodia vem linda! Ainda mais quando cantada em terças com Sater.
Junto com Yamandu Costa, CT criou um dos momentos mais belos do disco: “Negrinho do Pastoreio” (Barbosa Lessa). A voz de Yamandu se revela cantando a triste história de um menino saudoso por seu rincão. O primeiro verso está com ele, bem como quase todo o segundo, quando ao final Chico se junta a ele. Logo os dois cantam juntos. Nas partes mais altas da melodia, tanto Chico quanto Yamandu saem-se bem.
A se destacar, a louvável escolha de CT para cantar músicas que não são apenas criações suas, fazendo brilhar o seu potencial de bom intérprete. Além das citadas acima, outras como “Rancho Fundo” (Lamartine Babo e Ary Barroso) e “As Rosas Não Falam”, obra-prima de Cartola, encontram novas belezas na voz acolhedora de Chico Teixeira.
O que eu já disse sobre outro CD de Chico Teixeira, reafirmo ao tratar do atual: Ciranda de Destinos carrega em si a boniteza do Brasil sertanejo

Aquiles Reis

Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Desfile escolar em comemoração à Colonização do Solo Espírito-Santense em 2016
Desfile do aniversário de Vila Velha muda do Centro para a orla de Itaparica
Vila Velha amanhece tomada por lixo após greve de coletores
Greve de coletores deixa ruas tomadas por lixo em bairros de Vila Velha
Pessoa fazendo pagamento por meio do Pix
Pix mais protegido: novas regras para recuperar dinheiro de golpes entram em vigor

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados