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Greve de coletores deixa ruas tomadas por lixo em bairros de Vila Velha

Paralisação começou após sindicato contestar demissões na empresa responsável pela coleta; Justiça fixou multa de R$ 100 mil por descumprimento de decisão judicial

Publicado em 12 de Maio de 2026 às 08:23

Júlia Afonso

Publicado em 

12 mai 2026 às 08:23

Moradores de bairros como Centro, Guaranhuns, Praia da Costa, Itaparica e Itapuã, em Vila Velha, amanheceram com ruas tomadas por lixo nesta terça-feira (12). O motivo foi uma paralisação dos coletores, iniciada na tarde de segunda-feira (11). 


A reivindicação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares no Estado do Espírito Santo (Sindilimpe-ES) é a reintegração de trabalhadores desligados da empresa. Segundo o órgão, teria ocorrido uma demissão em massa — que a prefeitura nega. 


O serviço foi normalizado às 10h30 desta terça-feira, conforme a administração municipal, após um oficial de Justiça ir até empresa Localix Serviços Ambientais S.A e notificar o sindicato, garantindo o cumprimento da decisão judicial que determinava a liberação das equipes.


Na tarde de segunda-feira, o sindicato impediu a saída dos caminhões da Localix Serviços Ambientais S.A., responsável pela coleta de resíduos em Vila Velha. Houve confusão no local, e a Guarda Municipal foi acionada. Segundo relatos, agentes utilizaram balas de borracha e spray de pimenta, atingindo alguns trabalhadores.


A presidenta do Sindilimpe-ES chegou a ser detida por desacato e resistência, mas foi liberada ainda durante a tarde.

O que diz a empresa

Em nota divulgada na manhã desta terça-feira, a Localix informou que “já está tomando as medidas cabíveis para o cumprimento da ordem judicial que determina o fim imediato da greve ilegal apoiada pelo Sindilimpe-ES”.


A empresa afirmou ainda que acionou a Polícia Militar para garantir o cumprimento da liminar e permitir a saída dos caminhões para realização da coleta nos bairros da cidade.


A Localix destacou que "respeita integralmente o direito de greve, a liberdade sindical e os direitos de seus trabalhadores. A empresa esclarece, contudo, que foi surpreendida pelo bloqueio da entrada e saída da empresa pelo sindicato sem que exista qualquer descumprimento de obrigação trabalhista, legal ou convencional. Todos os salários, benefícios e direitos dos empregados estão em dia".

O que diz a prefeitura

Na noite de segunda-feira, a Prefeitura de Vila Velha disse que, “apesar de estar em dia com todas as obrigações contratuais junto à empresa Localix, responsável pela limpeza urbana no município, o sindicato dos trabalhadores descumpriu decisão judicial e impediu a realização da coleta de lixo na cidade”. 


A Justiça do Trabalho fixou, ainda na noite de segunda-feira, multa diária de R$ 100 mil ao Sindilimpe-ES por descumprimento da decisão judicial que proibia o impedimento do acesso de trabalhadores à empresa e qualquer ação que comprometesse a execução dos serviços de limpeza urbana no município.


“O sindicato defende a reintegração de trabalhadores desligados do quadro da empresa, entre eles pessoas próximas à dirigente sindical. Argumenta que a empresa realizou demissão em massa, o que não procede”, afirmou a prefeitura. 


Sobre a atuação da Guarda Municipal na segunda-feira, a prefeitura disse que "ocorreu pautada nos princípios da legalidade, proporcionalidade, necessidade e preservação da ordem pública, priorizando, durante toda a ocorrência, ações de mediação, negociação e verbalização, com uso progressivo da força apenas após sucessivas tentativas de solução pacífica e diante do descumprimento de ordem judicial e da obstrução de serviço público essencial".

O que diz o sindicato

Nas redes sociais, o Sindilimpe-ES questionou a atuação da Guarda Municipal de Vila Velha na tarde de segunda-feira, afirmando que houve truculência por parte dos agentes e que a paralisação era pacífica. 


A deputada federal Jackeline Rocha publicou um vídeo denunciando a detenção da presidenta do sindicato, assim como as deputadas estaduais Camila Valadão, Iriny Lopes, o senador Fabiano Contarato, e outros políticos. 


A reportagem de A Gazeta tenta contato com o sindicato, na manhã desta terça-feira, para mais detalhes. Quando houver retorno, o texto será atualizado.

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