A pandemia acelerou a mutação dos paradigmas de criação e distribuição da riqueza no capitalismo. É tempo de pensar fora da caixa. Há uma corrida global para reinventar o Estado, reformar o capitalismo, repaginar a democracia e atualizar o pensamento econômico. Soluções binárias do tipo “ou isto ou aquilo” não ficam mais de pé.
As corporações saíram na frente com o capitalismo de “stakeholders”. O capitalismo das gerações dos “millennials” e dos “Z”, que são 63,5% da população mundial. O foco não apenas no lucro. Ter contribuição para a sociedade, olhando clientes e consumidores, além de acionistas e executivos. Para conter e contornar o ataque à natureza e ao planeta.
Vem daí o “Green New Deal”, a narrativa da transição para a economia verde que ganha terreno no mundo inteiro. Uma nova forma de produzir. Converter a economia para padrões de baixa emissão de carbono. O WRI Brasil fez cálculos do quanto o Brasil teria a ganhar. O PIB poderia crescer 38% a mais até 2030, o que significa R$ 2,8 trilhões. Recuperar e proteger o solo, articular a cadeia produtiva da biodiversidade. Tecnologias novas: na mobilidade urbana, no agronegócio, na saúde, na energia limpa.
São novos paradigmas de criação e distribuição de riqueza. Superando o debate binário do século passado: se é o Estado ou o setor privado que deve tocar o investimento. Os dois têm que atuar. O liberalismo, sozinho, não fica mais de pé. O Estado pode catalisar o “Green New Deal” em estágios cruciais do seu desenvolvimento, como já fez com a energia limpa e a as tecnologias de informações, através de Pesquisa & Desenvolvimento e de investimentos de longo prazo em infraestrutura de qualidade.
Trata-se de ver a geração de valor para além da estreita visão financeira de curto prazo, visualizando o futuro e a criação de mercados com investimentos de longo prazo. O Green New Deal é exemplo de geração de novos mercados com o Estado catalisando capital de longo prazo. A mudança da natureza da acumulação capitalista. Da financeirização de curto prazo (acionistas e executivos) para o investimento produtivo de longo prazo (“stakeholders”).
Ao mesmo tempo, o pensamento econômico sai da visão binária. Focaliza também a criação da riqueza – além da sua distribuição – com a economia verde e seu novo mercado. E enfatiza a complexidade da geração da riqueza das nações: não mais apenas “capital humano” e incentivos econômicos, mas também a cultura e as instituições. Convergindo para a tecnologia