Sem a
Amazônia repaginada, o Acordo de Paris terá dificuldade de virar realidade no horizonte de 2030 e 2050, na transição para a economia verde. Por isso é grande a expectativa sobre a agenda que o
Brasil levará para a Cúpula do G20 em Roma, neste fim de semana, e para a COP26, logo em seguida, em Glasgow. O Brasil continuará na contramão, com o desmatamento e a política ambiental negacionista do governo
Bolsonaro?
O sucesso da COP26 requer criar condições para um processo de repaginação da Amazônia. E a pactuação de mudanças de paradigmas na transição para a
economia verde. A Amazônia faz do Brasil uma potência climática. A agenda brasileira precisa apresentar um projeto efetivo de combate ao desmatamento, assim como uma proposta de legislação para a precificação do carbono – e a adesão aos artigos de integridade climática do Acordo de Paris. O Brasil pode vir a ser um dos líderes do Pacto Verde que se espraia pelo planeta.
É crescente a constatação, prática e conceitual, de que é preciso entender a natureza como valor econômico, não apenas como “matéria prima”. É também crescente a superação da oposição entre “natureza” e “desenvolvimento”. Neste contexto, é cabal o fato de que o Brasil tem enorme potencial econômico de desenvolvimento pela via sustentável.
O Pacto Verde avança pelo planeta, especialmente no caso da energia, mas não apenas. Uma transição que parece inexorável, embora em processo de ameaça de desequilíbrio no momento. Virou imperativo de realidade. Melhorar a combinação entre luz, água e ar na Terra. Natureza, energia e vida.
Na matriz elétrica, o Brasil tem 83% de energia renovável. Já o mundo tem 77,4% de combustíveis fósseis. Na matriz energética, o Brasil tem 43,3% de energia renovável. O mundo tem 10,46%. Esta é a base real para buscar a co-liderança do Brasil no Pacto Verde, “caso o país entre num regime de metas ambientais consoantes com o que hoje predomina nas economias da União Européia e China”, afirma Jorge Caldeira.
O conceito da
natureza como valor já se espraiou para além da energia e penetrou nas empresas, nas seguradoras, e nos mercados financeiros. Essa noção do valor econômico da natureza transforma o Brasil numa potência climática e precisa ser internalizada pelo governo Bolsonaro. O Brasil não pode seguir na contramão. É enorme o seu potencial. Para árvores cultivadas e estocagem de bilhões de toneladas de CO2 eq. – com a precificação adequada do carbono. Para a biodiversidade e a bioeconomia. Para o etanol e o gás natural para a transição energética.
O
Espírito Santo pode contribuir muito na transição. Um Estado litorâneo, com grandes reservas de gás, pode sediar térmicas a gás natural. “O gás natural dá confiabilidade às usinas intermitentes, como as eólicas e solares”, lembra Victor Martins. Além disso, ele aponta que “é preciso investir em plantas de liquefação de gás, para levar energia a sistemas isolados”. Tudo somado, a COP26 pode gestar a tessitura de novo consenso.